20 de maio de 2022Informação, independência e credibilidade
Brasil

Queiroga quer receita para vacinar crianças e Anvisa fala em situação macabra

Autorização deve sair a partir de 5 de janeiro, após o final da consulta pública que já deveria ter iniciada

O ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, afirmou na noite de quinta (23) que o governo federal recomendará a autorização da vacinação contra a covid-19 de crianças de cinco a 11 anos de idade com a vacina da Pfizer, desde que haja prescrição médica para tomar o imunizante.

Em entrevista coletiva concedida no Ministério da Saúde, Queiroga disse que o governo colocará um documento à disposição para consulta pública. Afirmou ainda esperar que a vacinação para as crianças ocorra em breve.

A autorização deve sair a partir de 5 de janeiro, após o final da consulta pública que já deveria ter iniciada — mas não chegou a ser colocada no ar.

“O documento que vai ao ar é um documento que recomenda o uso das vacinas da Pfizer nessa versão aprovada pela Anvisa. A recomendação nossa é que essa vacina não seja aplicada de forma compulsória, ou seja, depende da vontade dos pais. Os pais são livres para levar seus filhos para receber essa vacina. Essa vacina estará vinculada à prescrição médica, e a recomendação obedece todas as orientações da Anvisa”. Marcelo Queiroga.

A Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) autorizou na última quinta-feira (16) o início da imunização no público dessa faixa etária, mas o governo de Jair Bolsonaro (PL) já declarou ser contrário.

Anvisa e o “macabro”

O diretor-presidente da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária), Antonio Barra Torres, cobrou explicações do Ministério da Saúde pela demora em iniciar a vacinação de crianças. Para Barra Torres, a pasta deve dizer por que escolhe atrasar a campanha enquanto o país registra “estatística macabra” de mortes nessa faixa etária.

“Nós temos 301 crianças mortas na faixa de 5 a 11 anos desde que a covid-19 começou até o início de dezembro. Nestes 21 meses, numa matemática simples, nós temos um pouquinho mais de 14 mortes de crianças ao mês, praticamente uma a cada dois dias. Então acho que essa informação à sociedade se faz necessária”. Antonio Barra Torres.

Ele também criticou a opção do Ministério da Saúde por abrir uma consulta pública sobre o tema e só divulgar a decisão final em 5 de janeiro de 2022 — 20 dias depois de a Anvisa ter liberado a vacinação de crianças contra a covid-19.

Em outubro, a possibilidade de incluir o público infantil na campanha de vacinação contra a covid-19 já havia motivado ameaças de morte a diretores da Anvisa. Segundo Barra Torres, as intimidações são uma “clara tentativa” de interferência no trabalho da agência e são estimuladas nas redes sociais, inclusive, pelo presidente Jair Bolsonaro (PL).

No último domingo (19), em nota, a Anvisa informou que as ameaças de violência se intensificaram e, por isso, enviou ofícios ao GSI (Gabinete de Segurança Institucional), ao Ministério da Justiça, à PGR (Procuradoria-Geral da República) e à Polícia Federal pedindo proteção aos membros da agência, além de novas investigações.