26 de junho de 2022Informação, independência e credibilidade
Blog da Graça Carvalho

Resiliência no Carnaval: Escolas de Samba e cultura popular ainda na avenida

Desfile abriu Carnaval de Rua, na Avenida Silvio Carlos Viana

Pessoas simples da periferia de Maceió, trabalhadores e amantes da cultura popular  chamaram a atenção de quem estava curtindo o Carnaval nos bares da orla, na Avenida Sílvio Carlos Viana, no Sábado de Zé Pereira.

Era a noite de abertura das escolas de samba. Os integrantes chegaram cedo às suas respectivas concentrações. Nada apoteótico quanto os desfiles das escolas de samba do Rio de Janeiro e de São Paulo, mas a garra daquelas pessoas e a empolgação – mesmo sem estar competindo – e resiliência diante das dificuldades financeiras, anualmente enfrentadas, para colocar as escolas na avenida são dignas de nota dez.

Dona Janda Neres, aos 73 anos,  estava na concentração da Escola de Samba Girassol, juntamente com outros integrantes do Guerreiro Padre Cícero, folguedo do qual participa há 15 anos. Abriu logo um sorriso, quando abordada pela reportagem do Eassim e disse que estava feliz pela oportunidade que a escola deu ao seu Guerreiro.

Este ano, a Girassol preparou um desfile em homenagem aos “Os imortais da cultura alagoana”, com forte apelo para a exaltação da cultura popular.

Além da Girassol e das outras escolas de samba que se posicionavam para o desfile (Leões de Jaraguá, Gaviões, Arco-Íris, 13 de Maio, Unidos do Poço, Jangadeiros e Imperatriz do Pilar), o Eassim também encontrou uma turma animada do Grupo Afoxé Odô Iyá, da Pajuçara, grupo de percussão ligado ao Candomblé.

Segundo Pai Célio, o grupo foi formado para quebrar a discriminação racial, o preconceito com as religiões de matriz africana. “A gente vai às ruas para cantar  as nossas louvações aos orixás. O Afoxé é isto: é o Candomblé na rua”, afirmou

Na mesma perspectiva de quebra de preconceitos, embora não tenha se apresentado oficialmente, Laércio Gomes, o Mestre Cabelinho, e os meninos e meninas do Grupo Afro Dendê, de samba reggae da Associação Cultural Sorridente, que, há quase nove anos realiza um trabalho sociocultural no conjunto Cidade Sorriso I, no Benedito Bentes.

De acordo com a Assessoria de Comunicação da Prefeitura de Maceió, a estrutura oficial para o desfile das escolas foi viabilizada a partir de uma parceria da Fundação Municipal de Ação Cultural (Fmac) com  Liga das Escolas de Samba de Alagoas e apoio  logístico de diversos órgãos, a exemplo das Superintendência Municipais de Transportes e Trânsito (SMTT), Limpeza Urbana (Slum) e Iluminação Pública (Sima). A verba disponibilizada para cada escola foi de apenas R$ 90 mil, o mesmo destinado às agremiações ano passado.