23 de junho de 2021Informação, independência e credibilidade
Brasil

Rodrigo Constantino é demitido da Jovem Pan após comentários absurdos sobre estupro

Jornalista insinuou que existem mulheres “indecentes” responsáveis por sofrerem estupro e disse que não perdoaria nem a filha

Rodrigo Constantino foi demitido pela rádio Jovem Pan na tarde desta quarta-feira (4), após comentar o caso Mariana Ferrer e questionar o estupro da jovem. O colunista afirmou que não denunciaria possíveis estupradores da sua filha, dependendo dos fatos do suposto episódio.

Após muitas críticas nas redes sociais, a direção da rádio decidiu pelo desligamento do colunista. A informação foi confirmada em nota.

A nova direção da Jovem Pan cedeu à pressão interna e entendeu que Rodrigo passou de todos os limites, sendo impossível mantê-lo no quadro de funcionários, mesmo ele seguindo a linha de direita que a rádio busca.

Em comunicado, a empresa repudiou o comentário de Constantino e deixou claro que ele foi feito numa live independente, sem ligação com a JP. Confira na íntegra:

“O Grupo Jovem Pan tem como premissa a liberdade de expressão e o amplo debate entre seus comentaristas. Diante do ocorrido nesta quarta-feira em uma live independente promovida fora de nossas plataformas por um de nossos comentaristas, o Grupo Jovem Pan esclarece que desaprova veementemente todo o conteúdo publicado nos canais apresentados e nesta live. Reafirmamos que as opiniões de nossos comentarias são independentes e não representam a opinião do Grupo Jovem Pan. No caso de Mariana Ferrer, defendemos que a vítima não deve ser responsabilizada, apesar do respeito que todos nós devemos ter de decisões judiciais. Em consequência do episódio, Rodrigo Constantino foi desligado do quadro de comentaristas nesta quarta (04/11)”. Nota da Jovem Pan.

Nem a filha foi perdoada

O comentarista abordou na manhã de hoje a absolvição de André de Camargo Aranha, acusado de estuprar Mariana Ferrer em 2018, e disse que se o episódio fosse com a sua filha, a colocaria de castigo e não denunciaria ninguém à polícia.

“Se minha filha chegar em casa, eu dou boa educação para que isso não aconteça, mas a gente não controla tudo, se ela chega em casa e fala: ‘pai, fui pra uma festinha e fui estuprada’. Eu vou falar: ‘Me dá as circunstâncias’. ‘Ah, fui pra uma festinha, eu e três amigas, tinha 18 homens, nós bebemos muito, tava ficando com dois caras e eu acabei dormindo. Fui abusada’. Ela vai ficar de castigo feio, eu não vou denunciar um cara desse pra polícia. Eu vou dar esporro na minha filha, porque alguma coisa ela errou feio. E eu devo ter errado pra ela agir assim, né? Porque é um comportamento completamente condenável, porque a gente não pode mais falar essas coisas hoje em dia, né? Que existe mulher piranha e mulher decente. Como falei aqui, o homem que faz isso não é decente, mas também não existe a ideia de mulher decente? As feministas querem que não, né? Porque feminista é tudo recalcada, ressentida e, normalmente, mocreia, vadia, odeia homem, odeia união estável, odeia casamento, odeia tudo isso. Só por isso”. Rodrigo Constantino.