Através de suas redes sociais, os três senadores alagoanos, Fernando Collor, Renan Calheiros e Rodrigo Cunha, com um mínimo de sensatez e razoabilidade, também criticam o caso do empresário André Aranha, que foi inocentado após a sentença de “estupro culposo”, que, claro, não existe na legislação.
Assinei no Senado voto de repúdio ao advogado, ao promotor e ao juiz, “por distorcerem fatos de um crime de estupro, expondo a vítima a sofrimento e humilhação”. Não há meio termo: sem consentimento, é crime! É indigno culpar a vítima!
— Fernando Collor ⏳🇧🇷 (@Collor) November 3, 2020
O caso de Mariana Ferrer é uma demonstração de que precisamos repensar como nossa sociedade trata suas mulheres. É inadmissível a situação enfrentada pela vítima que, além de todo o trauma, ainda é submetida à humilhação em audiência.
— Rodrigo Cunha (@RodrigoCunhaAL) November 3, 2020

A decisão de que houve estupro culposo no caso que envolveu Mariana Ferrer é uma anomalia. Não há esse tipo de crime no Brasil e em nenhum lugar do mundo. A vítima precisa sempre ser amparada e protegida. Não podemos silenciar.#justicapormaribferrer #Estuproculposonaoexiste
— Renan Calheiros (@renancalheiros) November 3, 2020
Estupro culposo
De acordo com o promotor responsável pelo caso, não havia como o empresário saber, durante o ato sexual, que Mari não estava em condições de consentir a relação, não existindo assim “intenção” de estuprar.
Sendo assim, o juiz aceitou a argumentação de que André cometeu um “estupro culposo”, um “crime” não previsto na lei brasileira. Porém, como ninguém pode ser condenado por um crime que não existe, o réu foi absolvido.
O advogado Cláudio Gastão da Rosa Filho, responsável pela defesa do empresário, o mesmo que defendeu Olavo de Carvalho em ação contra Caetano Veloso, mostrou várias fotos de Mariana durante a audiência e definiu as imagens como “ginecológicas”. Em momento algum foi questionado por membros do Tribunal de Justiça catarinense sobre a relação das fotos com o caso.

Gastão também disse que “jamais teria uma filha do nível” de Mariana. Bastante incomodada, a influencer respondeu dizendo que está de roupa nas fotos e que elas “não têm nada demais”. A jovem ainda argumentou: “A pessoa que é virgem, ela não é freira não, doutor. A gente está no ano 2020”.
Ele continuou atacando Mariana. “Só aparece essa sua carinha chorando. Só falta uma auréola na cabeça. Não adianta vir com esse teu choro dissimulado, falso, e essa lágrima de crocodilo”.
Após essas falas, um dos membros do Tribunal de Justiça percebeu que Mariana chorava muito ao ouvir as palavras e perguntou se ela quer sair um pouco para se recompor.
“Eu gostaria de respeito, doutor. Excelentíssimo, eu estou implorando por respeito no mínimo. Nem os acusados, nem os assassinos são tratados da forma que eu estou sendo tratada gente, pelo amor de Deus. Eu sou uma pessoa ilibada. Nunca cometi crime contra ninguém”. Mariana Ferrer.
A OAB de Santa Catarina e o Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos solicitaram esclarecimentos ao advogado e ao TJ de Santa Catarina sobre a sua conduta durante o interrogatório.
Após a divulgação do vídeo da audiência, houve uma revolta muito grande nas redes sociais com o desfecho do caso e com a conduta do advogado de defesa. A #justicapormarierrer voltou ao trend topics do Twitter.
A jovem influencer Mariana Ferrer afirma ter sido estuprada numa festa. A justiça entendeu que o réu, um empresário rico, ‘não teve intenção’ de estuprá-la. Vídeo inédito mostra defesa do acusado humilhando a jovem. https://t.co/Yvu2aidwuv pic.twitter.com/aYw9sMnF8Y
— Intercept Brasil (@TheInterceptBr) November 3, 2020














