26 de setembro de 2021Informação, independência e credibilidade
Política

Traidor, covarde, fim de jogo: As reações de aliados e oposição com recuo de Bolsonaro

Imagem do “mito” ficou abalada depois do presidente dizer que ‘agiu no calor do momento’ nos atos de 7 de Setembro

A imagem do mito está arranhada. Aliados, que até então estavam fechados com Jair Bolsonaro, sentiram o baque depois de verem seu presidente voltar atrás de praticamente tudo o que pregava, principalmente neste 7 de Setembro. Alguns se sentiram usados. Outros se sentiram traídos. E com isso, Bolsonaro passa pelo momento de maior fraquejada em seus quase 3 anos de presidência.

Supremo tio do Zap, Jair passou anos, não só durante sua presidência, também desde que era deputado, construindo a imagem de um mito: um político honesto que cumpre suas palavras, é extremamente patriota e sempre fala a verdade “doa a quem doer” quando o interesse é o bem do povo brasileiro.

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Claro: para quem tem mais de dois neurônios ou passou incólume pela doutrinação da seita bolsonarista, é fácil enxergar que tudo isso não passava de lorota. Agora, os 25% de apoiadores ferrenhos do presidente, pouco a pouco, vão notando como Bolsonaro é mentiroso, tem histórico de corrupção (ele, a família e todo entorno) e é a imagem cuspida de um político padrão do baixo clero.

Durante muitos anos, a realidade dos bolsonaristas era adorar um mito, vestir sua camisa, ir defendê-lo nas ruas debaixo de sol quente, brigar com amigos e familiares, repetir e replicar seus ideais, adentrar no neonazifascismo, praticar crimes contra o Estado Democrático de Direito, acreditar cegamente em tudo o que Jair fala. E isso pode muito bem mudar depois deste 9 de setembro.

Temendo prisão, Jair chamou Temer

Passada a ressaca moral do dia 7 de Setembro, com adesão menor do que a esperada e crescente rejeição dentre adversários por todos os lados, o presidente Jair Bolsonaro refugou de tudo o que pregava. Através de em nota oficial, ele disse que foi levado pelo “calor do momento” quando gritou ameaças contra STF, Constituição Federal e tentou um golpe de estado.

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Bolsonaro culpou os hormônios. Sim, a carta em que ele se apresentou como figura mansa e indefesa foi escrita em sua maioria pelo ex-presidente Michel Temer. Mas ele assinou embaixo. Colocou de forma oficial. Claro, isso não quer dizer que ele vá seguir o que foi escrito.

O presidente, na verdade, não recuou e nem vai se comprometer com moderação nenhuma. Isso simplesmente não existe em seu vocabulário. O que aconteceu foi que ele sentiu medo de impeachment, porque falou demais no 7 de setembro sem estar com número e força popular que jurava ter. Com medo de ser pego por crime de responsabilidade, apelou para Temer. E assinou sem ler.

Na live desta quinta-feira, ele nem mesmo sabia o tamanho ou teor do documento. Isso na mesma sessão em que debochou de quem passa fome e disse que a culpa da inflação estar alta é de quem ficou em casa comendo mais do que devia e engordando. Ou seja: é um farsante, daqueles que não se dá pra acreditar no que fala ou escreve.

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De qualquer forma, assinar a nota provocou um baque. Maior do que quando o ex-juiz Sergio Moro saiu de seu governo em um divórcio conturbado. Bolsonaro sobreviveu daquela vez e provavelmente vai sobreviver a mais essa crise, que, como sempre, ele mesmo criou. Mas o recado dado por seus aliados, sejam políticos, jornalistas ou eleitores, ficou registrado. Confira algumas das reações:

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

A seguir, como no tweet de Rodrigo Maia, confira a reação da gadoesfera, que pode englobar perfeitamente perfis com depoimentos de gente de verdade, robôs bolsonarista ou pura sátira da traição viva pelo eleitorado:

Nota na íntegra:

Confira aqui a nota da discórdia de Bolsonaro, que pode ter jogado no lixo os esforços de coalização dele após as manifestações do dia 7 de Setembro:

No instante em que o país se encontra dividido entre instituições é meu dever, como Presidente da República, vir a público para dizer:

  1. Nunca tive nenhuma intenção de agredir quaisquer dos Poderes. A harmonia entre eles não é vontade minha, mas determinação constitucional que todos, sem exceção, devem respeitar.
  2. Sei que boa parte dessas divergências decorrem de conflitos de entendimento acerca das decisões adotadas pelo Ministro Alexandre de Moraes no âmbito do inquérito das fake news.
  3. Mas na vida pública as pessoas que exercem o poder, não têm o direito de “esticar a corda”, a ponto de prejudicar a vida dos brasileiros e sua economia.
  4. Por isso quero declarar que minhas palavras, por vezes contundentes, decorreram do calor do momento e dos embates que sempre visaram o bem comum.
  5. Em que pesem suas qualidades como jurista e professor, existem naturais divergências em algumas decisões do Ministro Alexandre de Moraes.
  6. Sendo assim, essas questões devem ser resolvidas por medidas judiciais que serão tomadas de forma a assegurar a observância dos direitos e garantias fundamentais previsto no Art 5º da Constituição Federal.
  7. Reitero meu respeito pelas instituições da República, forças motoras que ajudam a governar o país.
  8. Democracia é isso: Executivo, Legislativo e Judiciário trabalhando juntos em favor do povo e todos respeitando a Constituição.
  9. Sempre estive disposto a manter diálogo permanente com os demais Poderes pela manutenção da harmonia e independência entre eles.
  10. Finalmente, quero registrar e agradecer o extraordinário apoio do povo brasileiro, com quem alinho meus princípios e valores, e conduzo os destinos do nosso Brasil.

DEUS, PÁTRIA, FAMÍLIA