
Uma ala de deputados capitaneada por Jair Bolsonaro (PSL) se mobilizou nas últimas horas da quarta-feira (16) para trocar o líder do partido na Câmara. Com êxito. Vivendo uma espécie de guerra civil, 27 dos 53 parlamentares do PSL protocolaram um pedido para destituir o atual líder, Delegado Waldir (PSL-GO), e substituí-lo por Eduardo Bolsonaro (PSL-SP). O filho 03 do presidente.
O presidente Bolsonaro se reuniu com deputados ao longo do últimos dias para discutir alterações no comando da sigla e propor o filho num mandato tampão até dezembro. Isso tudo provocada pelo racha com o presidente do partido, Luciano Bivar: verba eleitoral, laranjas, Queiroz e ações da PF fizeram os grupos agirem para puxar o tapete do outro.

Entretanto, houve uma reviravolta.
Eduardo Bolsonaro perdeu a liderança do PSL. Em apenas alguns minutos após o anúncio público de que a ala mais bolsonarista do partido havia retirador a liderança do Delegado Waldir (PSL/GO), a ala fiel ao presidente do partido, Luciano Bivar (PE), apresentou outro documento, com 32 assinaturas contrárias a liderança de Eduardo Bolsonaro.
E tem mais: a deputada Bia Kicis (PSL-SP) declarou que uma terceira lista com 27 nomes pró-Eduardo foi encaminhada novamente à Secretaria-Geral.
Depois que protocolamos a indicação do @BolsonaroSP para líder do PSL, o grupo pró delegado Waldir protocolou outra com 32 nomes para manter sua liderança. Mas em seguida protocolamos uma outra lista pró Eduardo. É esta última que está valendo. Eduardo é o líder do PSL.
— Bia Kicis (@Biakicis) October 17, 2019
Portanto, a história ainda não acabou e toda a confusão, que se deu depois das 23h, só deverá ter um desfecho conhecido na quinta-feira.
Veja como os deputados do PSL se dividiram:
Apoio para DELEGADO WALDIR seguir sendo líder:
- Profª Dayanne Pimentel (BA)
- Heitor Freire (CE)
- Julian Lemos (PB)
- Daniel Freitas (SC)
- Delegado Pablo (AM)
- Delegado Marcelo Freitas (MG)
- Sgtº Gurgel (RJ)
- Júnior Bozella (SP)
- Nicoleti (RR)
- Soraya Manato (ES)
- Charles Evangelista (MG)
- Abou Ani (SP)
- Fábio Schiochet (SC)
- Felipe Francischini (PR)
- Cel Tadeu (SP)
- Delegado Antônio Furtado (RJ)
- Joice Hasselmann (SP)
- Delegado Waldir (GO)
- Enéas Reis (MG)
- Delegado Felício Laterça (RJ)
- Léo Motta (MG)
- Lorival Gomes (RJ)
- Luciano Bivar (PE)
- Marcelo Brum (RS)
- Nelson Barbudo (MT)
- Nereu Crispim (RS)
Deputados que assinaram para EDUARDO BOLSONARO:
- Prof. Josiel (RJ)
- Loester Trutis (MS)
- Luiz Lima (RJ)
- Cel. Chrisóstomo (RO)
- Felipe Barros (PR)
- Eduardo Bolsonaro (SP)
- Chris Tonietto (RJ)
- Caroline de Toni (SC)
- Carlos Jordy (RJ)
- Sanderson (RS)
- Dr. Luiz Owando (MS)
- Gen. Girão (RN)
- Gen. Peterneli (SP)
- Daniel Silveira (RJ)
- Major Vitor Hugo (GO)
- Bia Kicis (DF)
- Carla Zambelli (SP)
- Cabo Junio Amaral (MG)
- Hélio Lopes (RJ)
- Alê Silva (MG)
- Aline Slejtes (PR)
- Príncipe Luiz Philippe (SP)
- Cel. Armando (SC)
- Guiga Peixoto (SP)
- Márcio Labre (RJ)
- Bibo Nunes (RS)
- Ricardo Pericar (RJ)
https://www.youtube.com/watch?v=5TapcurDVpQ
Bolsonaro flagrado em áudio
Jair Bolsonaro foi, sem saber, gravado pedindo o apoio de deputados do PSL para destituir o líder do partido na Câmara, Delegado Waldir, que acabou sendo deposto horas depois, para a entrada de Eduardo Bolsonaro. “O poder de indicar pessoas, de arranjar cargos no partido, promessa para fundo eleitoral por ocasião das eleições” é o que interessa o presidente eleito para acabar com a mamata.
“Eu falei com alguns parlamentares. Me gravaram? Deram uma de jornalista? Eu converso com deputados. Eu não trato publicamente desse assunto. Converso individualmente. Se alguém grampeou o telefone, primeiro, é uma desonestidade”. Jair Bolsonaro, presidente, ao ser questionado nesta quinta sobre o áudio.
PSL em crise
A crise do PSL se agravou na última semana. Sem saber que estava sendo transmitido ao vivo, no último dia 8 Bolsonaro disse para um apoiador “esquecer o PSL” e afirmou que Luciano Bivar, presidente do partido, estava “queimado pra caramba”.
Nos dias seguintes, nomes do partido saíram em defesa de Bolsonaro ou de Bivar, mostrando que havia um racha.Como pano de fundo, ambições políticas, disputa pelo controle do dinheiro do fundo partidário e a influência dos filhos do presidente.
Ontem, a situação se tornou mais crítica com operação da Polícia Federal para investigar o esquema de candidaturas laranjas do PSL. Bivar foi alvo.















