25 de junho de 2022Informação, independência e credibilidade
Brasil

Whatsapp: Após brigas, Bolsonaro não recomenda grupos entre parlamentares

Conversas serão individuais, para facilitar a descoberta de quem “vaza” as conversas privadas

Bancada do PSL se reúne com Jair Bolsonaro; Eduardo se sentou ao lado de Joice Hasselmann

É no mínimo curioso: após vencer uma eleição praticamente com a ajuda do Whatsapp e seus grupos, que disseminaram alguns fatos e muitas inverdades entre eleitores e apoiadores, o partido do presidente eleito Jair Bolsonaro (PSL) sentiu um pouco do próprio veneno da plataforma. E fez algumas recomendações para reduzir as brigas internas do PSL. Durante reunião com a futura bancada do PSL no Congresso Nacional na tarde desta quarta-feira, Jair Bolsonarorepreendeu o uso do aplicativo de mensagens WhatsApp por deputados para tratarem de temas sensíveis ao partido. O deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL-SP), filho do presidente eleito, contou que o pai abordou no encontro as recentes disputas internas do partido que se tornaram públicas por meio do vazamento de conversas pelo aplicativo.7

“O presidente Jair Bolsonaro é contra a criação de grupos de WhatsApp porque em um grupo existem diversas pessoas e, quando esses prints vazam, ninguém sabe quem é que vazou. Ideal seria a realização de conversas pessoais ou um com o outro. E aí, em caso de vazamento, a gente sabe quem é que vazou”. Deputado Federal Eduardo Bolsonaro, filho do presidente eleito.

Questionado se a existência de grupos no WhatsApp foi proibida por Bolsonaro, ele disse que não, porque o pai “não é ditador, ele é bem democrata”. “Ele apenas aconselha. Quem quiser seguir, tudo bem”, disse Eduardo. Durante a reunião, Eduardo se sentou ao lado da deputada federal eleita Joice Hasselmann (PSL-SP). Uma troca de ataques entre os dois em um grupo de WhatsApp se tornou pública na semana passada. Agora eles estão paz e amor. Durante o encontro da bancada com o presidente eleito ficou decidido que a liderança do PSL na Câmara dos Deputados será exercida até fevereiro pelo deputado Delegado Waldir (GO), atual vice-líder. Segundo Eduardo Bolsonaro, que ocupava a liderança até hoje, em fevereiro, com o início do mandato da nova bancada, o partido realizará uma eleição interna para decidir quem será o líder da legenda na Câmara. “O delegado Waldir é bicampeão de votos em Goiás, é pessoa que conhece a Casa, tem muita presença no plenário, então com certeza está em boas mãos”, disse Eduardo. Brigas no Zap

Não há consenso no PSL, partido do presidente eleito Jair Bolsonaro, nas movimentação para assegurar posições influentes na Câmara dos Deputados a partir de fevereiro. Neste mês os eleitos assumirão, assim como será votada a direção da Casa. Que pode seguir como está.

Uma ala do partido busca aproximação com o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), que deseja a reeleição, mas outra tenta viabilizar a candidatura de João Campos (PRB-GO). E como é de de se esperar, não é só a principal cadeira da casa que está em jogo. Há toda uma costura de vagas.

O grupo que procurou Maia gostaria de garantir uma das vice-presidências da Casa e o comando da Comissão de Constituição e Justiça, a mais importante da Câmara. Já a outra, liderada por Eduardo Bolsonaro (SP), deputado e filho do presidente eleito, tenta articular oposição a Maia, atraindo integrantes de outras siglas para fortalecer a candidatura de Campos.

Numa troca de mensagens pelo WhatsApp, Eduardo Bolsonaro contou que age sob ordens do pai. Move-se em segredo para evitar retaliações. “Se eu botar a cara publicamente, o Maia pode acelerar as pautas bombas do futuro governo”, anotou o filho de Jair Bolsonaro. E sobrou para o próprio Eduardo, que quis apagar incêndio com gasolina.

No grupo, desentenderam-se a deputada eleita Joice Hasselmann (SP) e o senador eleito Major Olímpio (SP). Tudo cocontra a pretensão de Joice de assumir a liderança do partido na Câmara .

O próprio Eduardo Bolsonaro reivindica para si. E foi além: acusou a deputada de “atropelar” os correligionários, a chamou de “sonsa” e diz que ela tem “fama de louca”.

Como toda boa discussão de Whatsapp, ela não deixou barato e lembrou que o partido pode ser criticado por colocar o filho do presidente em cargo de liderança na casa.

“Qual é o problema em eu ou qualquer outro deputado querer disputar a liderança??? O fato de termos um deputado que também é filho do nosso presidente (por quem trabalharei todos os dias) não nos exclui. Isso é democracia. Você é dentro do partido um parlamentar que fez votação estrondosa com o sobrenome que tem. Eu também fiz, sem sobrenome. Se quisermos ter 52 candidaturas podemos ter e decidimos no voto e no debate, não por recadinhos infantis via Twitter. Cresça”

Joice Hasselmann  encerrou colocando o herdeiro do trono “em seu lugar”:

“Eduardo, não admito nem te dou liberdade para falar assim comigo, ou escrever algo nesse tom. Não te dei liberdade pessoal nenhuma, portanto, ponha-se no seu lugar. Minhas discussões aqui são políticas e não pessoais. Se formos discutir a questão ‘fama’, a coisa vai longe. Então não envergonhe o que seu pai criou.”

É o tipo de maturidade que se espera de um governo eleito exatamente pelo Whatsapp. Bolsonaro já teria dito que não vai interferir diretamente na eleição da Câmara dos Deputados. Resta saber se seus aliados concordam com isso.