4 de dezembro de 2021Informação, independência e credibilidade
Blog da Graça Carvalho

Xeque-mate: Rosa desafia Lessa a ambos abrirem mão da candidatura à presidência do TCE

Atual presidente diz que não tem apego ao cargo e propõe nome do conselheiro Anselmo Brito, do quadro de servidores concursados, para presidência do TCE

A eleição para a Presidência do Tribunal de Contas de Alagoas parece mais um jogo de xadrez, com sucessivas jogadas bem estudadas. Um vídeo divulgado ontem pela atual presidente e candidata a reeleição, Rosa Albuquerque, parece ter antecipado o “xeque-mate”. Em resposta ao discurso do adversário, conselheiro Otávio Lessa, que no sábado, acusou Rosa  de apego ao poder, a conselheira reagiu com uma jogada de mestre. No vídeo , ela diz não ter apego ao cargo e propõe que ambos renunciem  às respectivas candidaturas e, em consenso, apoiem o  nome de um candidato de perfil técnico: o conselheiro Anselmo Brito, único auditor – concursado – na composição do Conselho de Contas, um órgão majoritariamente político.

Um xeque-mate que coloca o adversário numa posição delicada nesse xadrez político em que se transformou o processo eleitoral. Não será fácil para Otávio apoiar Anselmo Brito, aliado de Rosa na disputa eleitoral, e com quem ele (Lessa) tem muitos embates no Pleno do TCE. Por outro lado, ou  Otávio aceita desafio ou terá dificuldades em evitar a carapuça de quem, realmente, tem apego ao poder. Enfim, uma sacada de mestra.

Junto com o vídeo, Rosa publicou um texto nas redes sociais, onde ela rebate: “Não tenho nenhum apego a cargo; tenho apego a fazer um trabalho sério como presidente e conselheira do Tribunal de Contas do Estado de Alagoas. Decidi gravar um vídeo para deixar claros os meus propósitos, onde faço um desafio a conselheiro Otávio Lessa para que esta eleição não signifique um retrocesso na funcionalidade técnica da instituição”.

Os lances do jogo (ops, da disputa eleitoral)

A disputa entre a atual presidente Rosa e Otávio Lessa ganhou dimensões imensuráveis na semana que passou. Na terça-feira, o Pleno do TCE leu um memorando, do conselheiro Anselmo Brito, defendendo o voto de conselheiros substitutos no exercício da substituição. Nesse caso, votaria a conselheira substituta Ana Raquel Ribeiro, que ocupa a bancada do conselheiro Cícero Amélio, afastado do cargo por mais de dois anos, por decisão da Justiça.

Em seguida, o conselheiro Lessa ingressou com mandado de segurança pedindo o impedimento do voto de conselheiro substituto. Na sexta-feira,  pela manhã, Rosa publicou no Diário do TCE decisão acatando memorando do conselheiro Anselmo.

Contudo, no mesmo dia, à tarde, a desembargadora  Elisabeth Carvalho concedeu liminar em sede de mandado de segurança ao conselheiro  Lessa impedido o voto da conselheira Ana Raquel.

No sábado, Rosa, Anselmo Brito e Rodrigo Cavalcante não comparecem a sessão e a eleição não aconteceu por falta de quórum. Em nota, entre outros motivos, eles justificaram a ausência afirmando que  a decisão judicial foi proferida sem qualquer direito ao contraditório.

Hoje é segunda-feira, e a pergunta que não quer calar: Otávio Lessa vai aceitar esse desafio?