18 de maio de 2022Informação, independência e credibilidade
Política

Aliado de Putin, Bolsonaro prefere “se informar” antes de tomar decisão sobre a guerra

Jair, que passou o dia inaugurando obras e criticando comunismo em motociata, desautorizou Mourão, que horas antes disse ser contra ação russa na Ucrânia

O presidente Jair Bolsonaro segue evitando se pronunciar sobre a posição do Brasil, quando guerra da Rússia contra a Ucrânia. Não só isso, como em sua live semanal de quinta, chegou a desautorizar o vice Hamilton Mourão, que horas antes declarou ser contra a guerra.

Enquanto mísseis explodiam em toda Ucrânia, já invadida por tanques e tropas russas, Jair inaugurava obras de pavimentação. E passeava de moto com apoiadores. Ou seja: num mundo paralelo, estava em plena campanha eleitoral.

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Apesar de fazer parte do Conselho de Segurança da ONU, uma posição comemorada pelo próprio presidente, ele evita ao máximo se posicionar sobre o tema.

Para piorar, este é um buraco que o próprio se meteu: teimoso, Jair viajou para Rússia na semana passada, para se encontrar com Vladmir Putin. O exército russo já rondava a fronteira com a Ucrânia e guerra era dada como certa, mas apesar dos pedidos, Bolsonaro manteve o compromisso.

Seja para trocar informações de inteligência para as eleições deste ano ou por não as portas fechadas em países sensatos, a Bolsonaro restou Putin. Presidente que ele fez questão de “prestar solidariedade”. Posição que fez os Estados Unidos questionarem o fato do Brasil estar “do lado errado“.

Jair é defensor do pensamento livre e não tem vergonha de opinar sobre assuntos que não domina, por mais perigosa e burra sejam suas posições. Para receitar remédio que não funciona durante uma pandemia, foi fácil. Para se posicionar sobre uma guerra, o capitão se esconde.

E segue fugindo.

Em transmissão ao vivo por redes sociais ,ao lado do ministro das Relações Exteriores, Carlos França, Bolsonaro exibiu cópia em papel de reportagem do g1 que reproduzia declaração do vice-presidente: “Brasil não concorda com a invasão do território ucraniano”.

“Deixar bem claro: o artigo 84 diz que quem fala sobre esse assunto é o presidente. E o presidente chama-se Jair Messias Bolsonaro. E ponto final. Com todo respeito a essa pessoa que falou isso — e falou mesmo, eu vi as imagens — está falando algo que não deve. Não é de competência dela. É de competência nossa”.

O presidente disse que escuta ministros envolvidos com os temas antes de tomar decisão sobre posições que Brasil adotará no âmbito diplomático. Ele deu a declaração ao lado do ministro das Relações Exteriores, Carlos França.

“Só para vocês terem uma ideia. Não é combinado, é acertado naturalmente, quando é que eu falo qualquer coisa sobre esse problema Rússia e Ucrânia? Eu falo depois de ouvir o ministro Carlos França, das Relações Exteriores, e o da Defesa, Braga Netto. E ponto final. Se for o caso, convido mais algum ministro para a gente tomar uma… para eu tomar uma decisão”.

Ou seja: para tudo, Jair é especialista. Mas quando a decisão é óbvia e precisa de agilidade, ele se esconde. Corre para apoiadores, age como vereador de cidade pequena. Não tem mesmo condições de ser presidente.

Pra constar: ao invés de “se informar”, ele passou o dia ao lado do ministro da Infraestrutura, Tarcísio de Freitas, seu provável candidato ao governo de São Paulo, e liderou uma “motociata”, caminhou entre apoiadores, defendeu seu governo e não fez qualquer referência à crise da Ucrânia, em São José do Rio Preto, no interior paulista.

Durante a visita, que teve clima de campanha, o presidente evitou a imprensa e, sem citar a invasão das tropas da Rússia, criticou o regime comunista. “Comunismo é um fracasso socialismo é uma desgraça. Nós somos a maioria, nós vamos mudar o destino do Brasil”, disse, em discurso a apoiadores.

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É um estorvo.