24 de janeiro de 2022Informação, independência e credibilidade
Alagoas

Antes do novo decreto, Alagoas registra taxa de isolamento inferior a 40%

Índice se reflete no avanço da pandemia, com todos os dias sendo confirmados mais infectados e mortos

Apenas o isolamento social pode impedir o colapso da rede hospitalar e, assim, poupar vidas durante a pandemia do novo coronavírus. Essa é a orientação da Organização Mundial de Saúde (OMS) e da Sociedade Alagoana de Infectologia (SAI).

Com isso em mente, o atual decreto de emergência em Alagoas, que se encerra nesta quarta (10) leva isso em consideração. Além do uso de máscaras e regulamentar o funcionamento do comércio, muito se baseia na necessidade de depender do isolamento e distanciamento da população – que não vem ajudando.

Após 80 dias de intensa propagação de informações, só há um consenso entre a classe médica e especialistas: quanto mais o índice de isolamento social cai, mais cresce a transmissão comunitária, que gera aumento exponencial dos casos confirmados, lotando assim as unidades de atendimento.

Do último domingo (8) para segunda-feira (09), Alagoas apresentou taxa de isolamento social de 39,3%. Uma das mais baixas, só perdendo para a de sexta-feira (6), que despencou para 34,9%.

À medida que a vida se expande nas ruas, outra parte se esvai nas macas dos hospitais, como apontam os dados oficiais da Secretaria de Estado da Saúde com um crescimento diário da ocupação dos leitos e do contágio. E isso se reflete nos números de Alagoas: a cada dia, são confirmados mais infectados e mortos, sem que a curva da pandemia seja achatada.

Fiscalização

O governador Renan Filho reforçou que as medidas estão sendo tomadas com base num amplo e permanente diálogo com a sociedade, entidades médicas e o setor produtivo, primando, sempre, pelo que preceitua a ciência.

Isso, claro, levando em conta o que que for aplicável, fiscalizável. Realizável. Portanto, mesmo que a ocupação dos leitos se intensifique mais ainda, uma medida mais abrupta e rigorosa, com um lockdown, ainda não seria possível em Alagoas.

ias antes, o prefeito de Maceió, Rui Palmeira, já adiantava: com quase 500 agentes de segurança afastados por causa da Covid-19, isso entre policiais militares e guardas municipais, seria muito difícil, se não impossível, realizar a fiscalização de um decreto como o lockdown, com um efetivo policial tão baixo.

E como observado de forma clara e evidente nos últimos dias, a população de Alagoas relaxou no isolamento/distanciamento. Um número ideal seria 70%, mas assim como em outros Estados, nossa população quase não passa dos 45% nos índices de distanciamento.

Ainda temos muitas pessoas fazendo questão de pedalar ou caminhar na orla. O movimento nas ruas do Centro ou feiras de rua é de uma intensidade desconcertante. E a quantidade de pessoas que insistem em deixar o nariz descoberto pelas máscaras é de dar nós na cabeça.

Portanto, mesmo com a caneta decretando toques de recolher e maiores restrições de liberdade neste momento de pandemia, sem a ajuda da população, o avanço do novo coronavírus continuaria em ritmo acelerado. E o alerta já foi dado por Alexandre Ayres, secretário de Saúde do Estado:

“As pessoas continuam insistindo em ir pras ruas, insistindo em se aglomerar, com uma falsa sensação de imunização. Isso é muito complicado, é muito sério. O poder público vem fazendo sua parte, mas o principal protagonista é o cidadão. Eu repito, se o cidadão não se conscientizar, muitos vão ficar doentes ao mesmo tempo, não teremos leitos suficientes e nós continuaremos tendo sérias dificuldades em Alagoas” Alexandre Ayres, secretário de Saúde de Alagoas.

E até hoje, o estado somou 17.193 casos confirmados e 640 óbitos por Covid-19.