24 de maio de 2022Informação, independência e credibilidade
Política

Bolsonaro acusa “maus brasileiros” de usarem “números mentirosos” contra a Amazônia

Presidente afirma que números do desmatamento são para atingir o nome do Brasil e o governo

Nem mesmo depois da fritura e demissão do diretor do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), Ricardo Magnus Osório Galvão, o presidente Jair Bolsonaro (PSL) aliviou diante dos fatos. E voltou a chamar, nesta segunda-feira (5), os números recentes sobre o desmatamento na Amazônia de “mentirosos”.

Desta vez, num evento em Sobradinho, na Bahia, ele chamou as pessoas que divulgam esses dados de “maus brasileiros” que fazem “campanha contra” a floresta.

“A Amazônia é um potencial incalculável. Por isso, alguns maus brasileiros ousam fazer campanha com números mentirosos contra a nossa Amazônia. E nós temos que vencer isso e mostrar para o mundo, primeiro, que o governo mudou e, depois, que nós temos responsabilidade para mantê-la nossa, sem abrir mão de explorá-la de forma sustentável”. Jair Bolsonaro, presidente.

Essa não é a primeira vez que Bolsonaro declara que os dados sobre desmatamento são falsos.

Quando questionou os dados que revelavam um aumento de 88% no desmatamento da região no último mês de junho, pela primeira vez, ele disse que se fosse verdade, “a Amazônia já teria sido extinta, seria um grande deserto”. E acusou o Inpe de estar agindo “a serviço de alguma ONG”.

“A questão do Inpe, eu tenho a convicção que os dados são mentirosos. Até mandei ver quem é o cara que está a frente do Inpe para vir se explicar aqui em Brasília, explicar esses dados aí que passaram na imprensa”. Bolsonaro, antes da demissão de Galvão.

Nesta segunda-feira (5), a Comissão Europeia (CE) mandou um recado para o Brasil, lembrando que o acordo entre Mercosul e União Europeia (UE) ainda não está em vigor e que, para isso acontecer, todos os países-membros devem cumprir os compromissos climáticos do Acordo de Paris.

Ricardo Galvão foi demitido após revelar os altos de desmatamento e fora prontamente desmentido pela alta cúpula do governo

Sem alarde

O Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) foi criticado pelo governo Bolsonarotambém pelo ministro do Gabinete de Segurança Institucional (GSI), general Augusto Heleno.

Como o Inpe indicou aumento de 80% no desmatamento amazônico, para desgosto do governo, o general afirmou que “se fossem dados corretos, era preocupante, seria conveniente que nós não alardeássemos isso”.

Heleno afirmou que “esses dados divulgados prejudicam muito a imagem do Brasil” e sugeriu que “nós cuidássemos do problema internamente, procurássemos corrigir o que está errado”.

“É falta de honestidade intelectual de boa parte da imprensa de divulgar a notícia. A notícia é para ser divulgada, a imprensa é para informar, mas ela tem que pautar a informação na honestidade intelectual”. General Augusto Heleno, ministro do Gabinete de Segurança Institucional (GSI).

Resumo da ópera: ele quer esconder os fatos e continuar agindo de forma errada. Tudo pela “imagem”. Tudo isso em um evento com Ricardo Salles (Meio Ambiente), Ernesto Araújo (Relações Exteriores) e o presidente Jair Bolsonaro (PSL).

Bolsonaro também subiu o tom contra o presidente do Inpe, Ricardo Galvão, afirmando que, se ele “quebrou a confiança, vai ser demitido sumariamente”. Para eles, os números são para “atingir o nome do Brasil e o governo”.

O ministro das relações exteriores, Ernesto Araújo,o presidente da República,Jair Bolsonaro, e os ministros do Meio Ambiente, Ricardo Salles e GSI, Augusto Heleno, durante coletiva de imprensa, sobre os dados do desmatamento divulgados pelo monitoramento ambiental do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), órgão vinculado ao Ministério de Ciência e Tecnologia.

Sobradinho

Visita do presidente foi para a inauguração da sina Solar Flutuante no reservatório de Sobradinho/BA.