29 de maio de 2022Informação, independência e credibilidade
Política

Bolsonaro é alertado para tentar barrar CPI do MEC no Senado

Oposição reúne assinaturas para abertura de comissão que vai investigar desvios de verba no governo federal

Senadores de oposição ao governo Jair Bolsonaro (PL) já reuniram as 27 assinaturas necessárias para a abertura de uma CPI (Comissão de Parlamentar de Inquérito) sobre as suspeitas de corrupção no MEC (Ministério da Educação), segundo anunciou hoje o senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP) nas redes sociais.

E aliados de Bolsonaro já avisaram ao Palácio do Planalto que a possível instalação da CPI para investigar um esquema de corrupção no MEC pode ser “fatal” para a reeleição do presidente este ano.

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O conselho foi para que o governo aja rápido para barrar a comissão. A avaliação desses aliados é de que a realização dos trabalhos da CPI em plena campanha eleitoral pode desgastar muito a imagem de Bolsonaro.

Uma Comissão de Educação já ouviu, nessa semana, cinco prefeitos que relataram pedidos de propina dos pastores. Um deles, de Bonfinópolis (GO), declarou ter sentido “ânsia de vômito” ao ouvir que teria que pagar R$ 15 mil pela liberação de R$ 7 milhões para a construção de uma escola.

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Outro prefeito, da cidade de Luís Domingues (MA), afirmou que o grupo pediu 1 kg de ouro, além da propina de R$ 15 mil. Os senadores que assinaram o pedido para CPI, após os depoimentos da Comissão, são:

  1. Randolfe Rodrigues (Rede-AP)
  2. Paulo Paim (PT-RS)
  3. Humberto Costa (PT-PE)
  4. Renan Calheiros (MDB-AL)
  5. Styvenson Valentim (Podemos-RN)
  6. Fabiano Contarato (PT-ES)
  7. Jorge Kajuru (Podemos-GO)
  8. Zenaide Maia (PROS-RN)
  9. Paulo Rocha (PT-PA)
  10. Omar Aziz (PSD-AM)
  11. Rogério Carvalho (PT-SE)
  12. Reguffe (União-DF)
  13. Leila Barros (PDT-DF)
  14. Jean Paul Prates (PT-RN)
  15. Jaques Wagner (PT-BA)
  16. Eliziane Gama (Cidadania-MA)
  17. Tasso Jereissati (PSDB-CE)
  18. Cid Gomes (PDT-CE)
  19. Alessandro Vieira (PSDB-SE)
  20. Weverton Rocha (PDT-MA)
  21. Dario Berger (MDB-SC)
  22. Simone Tebet (MDB-MS)
  23. Mara Gabrilli (PSDB-SP)
  24. Oriovisto Guimarães (Podemos-PR)
  25. Jader Barbalho (MDB-PA)
  26. Nilda Gondim (MDB-PB)
  27. Veneziano Vital do Rêgo (MDB-PB)

Os nomes dos pastores Gilmar Santos e Arilton Moura ficaram conhecidos no mês passado, após virem à tona suspeitas de que estariam exercendo influência indevida no MEC.

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Eles são, respectivamente, presidente e assessor de assuntos políticos da Convenção Nacional de Igrejas e Ministros das Assembleias de Deus no Brasil.

Senado

O presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (PSD-MG), no entanto, disse que é preciso ter “cautela com o viés eleitoral”, quando questionado sobre a defesa de parlamentares na criação de uma CPI para investigar o chamado “gabinete paralelo de pastores” no Ministério da Educação.

“É preciso ter muita responsabilidade neste momento do Brasil, de muito esgarçamento entre instituições, momento em que se exige união nacional, temos um período eleitoral acirrado. É preciso ter cautela com instrumentos do Legislativo que possam soar com viés eleitoral. Não estou me referindo especificamente a esta ideia da CPI do Ministério da Educação, mas a toda e qualquer iniciativa deste tipo”.

A Comissão de Educação do Senado já debateu ,no último dia 31, a criação de uma CPI que apure as denúncias de tráfico de influência no MEC. A discussão ocorreu após o não comparecimento do ex-ministro Milton Ribeiro, que já havia confirmado a presença na audiência.

O senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP) disse que a ausência “equivale a uma assimilação de culpa”. “Este Senado não pode e não será desmoralizado. Não restará, diante deste gravíssimo desrespeito, senão a instalação de uma CPI”, disse Randolfe, um dos autores do requerimento para que Ribeiro prestasse informações.