22 de maio de 2022Informação, independência e credibilidade
Política

Bolsonaro já cogitou abortar filho caçula, mas tema levantado por Lula é tabu em eleições

Grande parte do eleitorado brasileiro é evangélico ou católico, religiões que são contra o aborto e não enxergam o tema como questão de saúde pública

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) se tornou alvo dos evangélicos, nesta terça-feira, por defender o direito ao aborto no Brasil. Para o petista, a questão é de saúde pública. Para os religiosos, é um tabu e semelhante a assassinato:

“Aqui no Brasil não faz aborto porque é proibido, quando na verdade deveria ser transformado numa questão de saúde pública, e todo mundo ter direito e não ter vergonha. Eu não quero ter um filho, eu vou cuidar de não ter meu filho, vou discutir com meu parceiro. O que não dá é a lei exigir que ela precisa cuidar”.

O tema espinhoso foi levantado por Lula, durante um período eleitoral, porque ele considera que em mais sofre com a proibição do aborto são as mulheres pobres, sem acesso a métodos seguros.

“Aqui no Brasil, as mulheres pobres morrem tentando fazer aborto, porque é proibido, o aborto é ilegal”.

A discussão sobre aborto, e outros temas durante eleição, podem custar votos, pois muitas vezes candidatos falam uma coisa, agindo de outra forma, apenas para conquistar votos.

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Para Lula, “pauta da família” é muito atrasada, e “autorizada por um homem que não tem moral para fazer isso”. Ele não mencionou por nome, mas claro que se tratava do atual presidente, Jair Bolsonaro.

Lula afirma que a mulher com dinheiro pode fazer o procedimento no exterior, exatamente o que a última ex-mulher de Bolsonaro poderia ter feito, segundo o atual presidente, em entrevista no ano de 2000 à Revista Isto É.

Jair, antes de virar evangélico (como o fez quando se tornou candidato a presidente), dizia que decisão deveria ser “do casal”. E na entrevista, chegou a apontar para seu filho caçula (sem contar a da fraquejada), dizendo que foi a mãe dele quem decidiu seguir com a gestação.