17 de agosto de 2022Informação, independência e credibilidade
Brasil

“Brilhantismo”: Suposto laranja foi homenageado por filhos de Bolsonaro

Ex-assessor teve movimentação financeira suspeita de mais de R$ 1,2 milhão enquanto trabalhava para Flávio Bolsonaro

O ex-PM Fabricio José Carlos de Queiroz, o amigo do presidente eleito Jair Bolsonaro, recebeu menções e homenagens deputado estadual do Rio Flávio Bolsonaro (PSL-RJ) e seu irmão, o vereador Carlos Bolsonaro (PSC-RJ).

Isso tudo na Assembleia Legislativa do Rio e à Câmara municipal em 2003 e em 2006, respectivamente. Queiroz, ex-assessor de Flávio, foi citado em um relatório do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), que apontou movimentação atípica de R$ 1,2 milhão em uma conta em seu nome, entre janeiro de 2016 e janeiro de 2017.

Em 24 de outubro de 2003, Flávio Bolsonaro pediu à Mesa Diretora da Assembleia que fosse consignado “nos Anais desta Casa de Leis, Moção de Louvor e Congratulações ao ilustre Sargento PM Fabrício José Carlos de Queiroz, lotado no Batalhão de Policiamento em Vias Especiais”.

Segundo Flávio, o PM tinha ‘vários anos de atividade’ e desenvolvia ‘sua função com dedicação, brilhantismo e galhardia’.

“Presta serviços à sociedade desempenhando com absoluta presteza e excepcional comportamento nas suas atividades. No decorrer de sua carreira, atuou direta e indiretamente em ações promotoras de segurança e tranquilidade para a sociedade, recebendo vários elogios curriculares consignados em seus assentamentos funcionais”, Flávio Bolsonaro, quando parlamentar do PP.

Já a medalha Pedro Ernesto, homenagem a Fabricio, na Câmara dos Vereadores, foi aprovada pelo plenário da Casa em 4 de outubro de 2006, após requerimento de Carlos Bolsonaro. A premiação foi criada por meio da Resolução nº 40, em 20 de outubro de 1980.

Laranjas

Dados da movimentação financeira de Fabrício Queiroz indicam que ao menos uma assessora depositou quase todo o salário recebido na Alerj, em determinado período sob investigação no Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), no esquema que engrossou o caixa do filho de Jair Bolsonaro (PSL).

Funcionária legislativa ligada ao deputado fluminense e senador eleito Flávio Bolsonaro (PSL) desde 2007, Nathalia de Melo Queiroz trabalhou como recepcionista em uma rede de academias no Rio no mesmo período em que aparecia na folha de pagamento da Alerj (Assembleia Legislativa do Rio).

Já o filho do presidente eleito divulgou nota oficial negando “qualquer ilegalidade ou irregularidade” na atuação de Nathalia de Melo Queiroz como assessora parlamentar no seu gabinete.

Em 2011, Nathalia acumulava as aulas da faculdade, o emprego fixo como recepcionista e cargo na Alerj, primeiro no departamento de taquigrafia e debates, no qual ficou até julho daquele ano, cujo salário bruto era R$ 2.950,66.

Em agosto de 2011, a jovem recebeu outra atribuição na Casa: assessora direta de Flávio Bolsonaro. Ela permaneceu na função até dezembro de 2016 com vencimentos de R$ 9.835,63 mensais.

Nathalia é mencionada pelo Coaf (Conselho de Controle de Atividades Financeiras) no relatório que identificou movimentação atípica em nome do pai dela, que também trabalhou como assessor de Flávio, no valor de R$ 1,2 milhão (referente apenas ao período de 13 meses, de janeiro de 2016 a janeiro de 2017).

Na época, ela era funcionária de Flávio e transferiu para o pai R$ 84.110,04. Na quinta-feira (13), o filho mais velho de Jair Bolsonaro (PSL) se manifestou sobre o caso por meio das redes sociais e negou qualquer irregularidade.

Bolsonaro

O amigo de Jair Bolsonaro, e paí de Nathalia, Fabrício de Queiroz, movimentou R$ 1,2 milhão no período de um ano, enquanto servia como assessor e motorista no gabinete de Flávio Bolsonaro, filho do presidente eleito, na Assembleia Legislativa do Rio.

A movimentação na conta de Queiroz foi considerada “atípica” pelo Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf). Ele depositou até mesmo um cheque de R$ 25 mil reais para Dona Michele, esposa de Bolsonaro. O presidente eleito afirmou que o repasse se deve ao pagamento de um empréstimo que fez ao ex-assessor, no valor total de R$ 40 mil.

“Emprestei dinheiro para ele em outras oportunidades. Nessa última agora, ele estava com um problema financeiro e uma dívida que ele tinha comigo se acumulou. Não foram R$ 24 mil, foram R$ 40 mil. Se o Coaf quiser retroagir um pouquinho mais, vai achar os R$ 40 mil”. Jair Bolsonaro.

O amigo de Bolsonaro fez 176 saques de dinheiro em espécie de sua conta em 2016. Uma retirada a cada dois dias naquele ano. E mais da metade dos depósitos em espécie recebidos, pelo ex-motorista de Flavinho, aconteceram no dia do pagamento dos funcionários da Assembleia Legislativa do Rio ou até três dias úteis depois.