22 de maio de 2022Informação, independência e credibilidade
Política

Colegas do do STJ criticam Humberto Martins “rodar bolsinha” por uma vaga no STF

“Dizem no tribunal que ele está fazendo o que é necessário para poder agradar e se viabilizar”, falou um ministro do tribunal que o alagoano preside

O presidente do STJ (Superior Tribunal de Justiça), Humberto Martins, está incomodando seus colegas ministros por sua escancarada campanha por uma vaga no STF (Supremo Tribunal Federal).

Segundo Carolina Brígido, do UOL, um colega chegou dizer que o alagoano “começou a rodar bolsinha e ficou ruim” para agradar o presidente Jair Bolsonaro e ser o indicado para substituir Marco Aurélio Mello no Supremo.

“A caneta do presidente do STJ não tem visibilidade, mas faz muita coisa. Ele tem atendido o governo em questões de privatizações. Dizem no tribunal que ele está fazendo o que é necessário para poder agradar e se viabilizar”. Ministro que preferiu não ser identificado.

Alguns dos exemplos de Martins, que quer ser o “terrivelmente evangélico” de Bolsonaro, já salvou o governo federal de ter que divulgar direito de resposta nas redes sociais a partir de uma postagem da Secom (Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República), que defendeu um torturador de militantes de esquerda durante a ditadura.

Leia mais: Flávio Bolsonaro quer o alagoano Humberto Martins no STF em julho

E não para nisso: No início de abril, Martins autorizou o funcionamento das atividades consideradas não essenciais em Brasília – como bares, restaurantes e shoppings. Martins também tem dado sinal positivo para os planos de privatização do governo.

Outro ministro do STJ observou, em conversa com a coluna, que Martins tem citado mais a Bíblia e Deus publicamente. Para esse ministro, é uma estratégia para se firmar como “terrivelmente evangélico”.

Na segunda-feira (26), Martins atendeu a um pedido do governo do Distrito Federal para liberar a retomada da construção do Museu da Bíblia em Brasília. As obras tinham sido paralisadas por ordem da 7ª Vara da Fazenda Pública do DF.

Outro lado

Martins respondeu por meio da assessoria de imprensa à colunista:

“Em primeiro lugar, não existe campanha para o Supremo Tribunal Federal. O ministro Humberto Martins é presidente do STJ e do CJF (Conselho da Justiça Federal) e desempenha suas atribuições na presidência com base na Constituição, nas leis e na jurisprudência.

A sua eleição para o STJ e o CJF foi por aclamação dos demais ministros da Corte e a gestão tem sido participativa e agregadora, embasada em um plano de gestão elaborado em conjunto com a FGV (Fundação Getúlio Vargas). A escolha para o STF é uma prerrogativa do presidente da República, segundo os parâmetros fixados na Constituição”. Nota de Humberto Martins.