4 de dezembro de 2021Informação, independência e credibilidade
Política

Com Lula elegível novamente, esquerda tem tudo para se desorganizar em 2022 e favorecer Bolsonaro

Presidenciável, Ciro Gomes já disse não embarcar em candidatura do PT, partido que possui alto índice de rejeição e influenciou resultado na Eleição 2018

Na tarde desta segunda-feira, o ministro do STF, Edson Fachin, anulou todas as condenações do ex-presidente Lula na Lava Jato. Com isso, o petista está elegível novamente e se torna um presidenciável para as eleições de 2022.

A decisão ainda cabe recurso, mas apesar de provocar um certo esperneio na direita, principalmente entre bolsonaristas, a longo prazo, a volta de Lula ao páreo pode favorecer a campanha de Jair Bolsonaro.

O presidente vem fazendo tudo de errado em seu governo. E piorou tudo sem sua gestão durante a pandemia, tomando decisões questionáveis ou partindo para omissões desastrosas – desde atacar a OMS, se abraçar com Donald Trump e até hoje ser contra vacinas, apesar da própria mãe ser vacinada.

Mas em uma semana com recordes de mortes diárias por covid-19 e uma patética missão internacional em Israel, sem dúvidas Lula dará um respiro ao Governo Federal, tomando o foco das atenções na imprensa e no tabuleiro de xadrez político para as próximas eleições.

Segundo pesquisa mais recente para 2022, da Paraná Pesquisas, Bolsonaro é franco favorito e única presença garantida no segundo turno, independente de com quem esteja disputando. Não importa se contra Doria, Moro, Huck, Ciro, Haddad ou mesmo Lula: o atual presidente tem sempre mais que 31% dos votos.

O eleitor fechado com ele está sempre nessa casa: dos 33%. Bolsonaro pode ser flagrado em vídeo roubando dinheiro de uma creche, mas encontraria uma desculpa dizendo que o dinheiro era para formação de comunistas e teria feito uma boa ação. Aos olhos de seu gado, ele é perfeito e nada faz de errado. Nada muda o voto desses.

Entretanto, o que fez Bolsonaro ser eleito em 2018, além da comoção após a facada, foi um discurso contra corrupção, ideologia de gênero e “tudo o que representa” o petismo. O ódio contra o PT ajudou a vencer a eleição passada.

O segundo turno das eleições 2018 teve a maior abstenção desde 1998: mais de 31,3 milhões de brasileiros não foram às urnas. Esse total representou 21,3% do eleitorado brasileiro. Além disso, foram quase 2,5 milhões (2,14%) de votos em branco e 8,6 milhões (7,43%) de votos nulos.

Ou seja: do total dos votos, quase 30% não estavam entre os válidos. Eram de pessoas que se recusavam a votar no PT e em Bolsonaro, deixando o desempate entre aqueles que menos odiariam, afinal, os que vestiram a camisa já tinha seu candidato. E ficou claro: o ódio ao PT era e continua forte.

Como visto nos números do Paraná Pesquisa, o petismo não é maior que o Bolsonarismo, mesmo com Lula no páreo. Especialmente se não houver uma união entre os candidatos de oposição, como Boulos, Ciro e Haddad. Ou, agora, Lula. Marina mesmo já disse que não concorre. E Ciro, antes dessa decisão de Lula, falou que novamente não vai se deitar com o PT.

Seja quem for comemorar ou ficar com raiva dessa decisão de Fachin, é preciso pensar no escopo maior: o ciclo de notícias nessa semana será centrado em Lula, deixando a pandemia de lado.

E com Lula no páreo, por causa do ódio do PT ser maior que o apoio a Bolsonaro (afinal, entre esses estão eleitores de Huck, Moro e Doria), as chances de reeleição do atual presidente ficam maiores. De qualquer forma, a eleição 2022 começou verdadeiramente hoje. Diante de uma pilha de mortos pela covid-19.