27 de janeiro de 2022Informação, independência e credibilidade
Brasil

Deputado do PSL faz doxing com “dossiê de acusados de serem antifascistas”

Lista circula pelas redes de Whatsapp da extrema-direita, contendo informações detalhadas dos “denunciados”

O Dep. Estadual Douglas Garcia (PSL), da Assembleia Legislativa de São Paulo, utilizou dinheiro público para montar um dossiê com mil páginas contendo nome, rede social, endereço físico, contato e descrição de pessoas consideradas antifascistas.

Esse dossiê circula pelas redes de Whatsapp da extrema direita. O documento é bastante detalhado, contendo informações pessoais e descrições do tipo “vocalista de banda” ou “feminista”.

Douglas Garcia  publicou em sua rede de facebook um vídeo onde confessa ter feito um dossiê:

Há ainda um outro indício que pode sugerir que este dossiê pode ter sido feito com dinheiro público. Na página da Alesp, é possível encontrar dados sobre gastos de gabinetes dos deputados e no último mês de Abril o gabinete do deputado pagou, com despesas públicas, em torno de 60 mil reais para a empresa DATAULFO DESENVOLVIMENTO WEB E GESTAO DE REDES.

Se for comprovado seu envolvimento, passa a ser uma conduta criminosa. Esse doxing, prática virtual de pesquisar e de transmitir dados privados sobre um indivíduo ou organização, especialmente catalogando-os como indivíduos a serem perseguidos, é uma atitude que deve ser condenada e investigada a fundo pelos poderes competentes.
Se há algum tipo de interesse, ao menos. Já que até o próprio presidente, Jair Bolsonaro, já qualificou antifascistas como “marginais” ou “terroristas”.