23 de junho de 2021Informação, independência e credibilidade
Política

Em pronunciamento ao som de panelaços, Bolsonaro vende país de fantasia

Presidente derrama índices positivos, critica distanciamento social e fala em jogar nas “quatro linhas da constituição”.

Em pronunciamento em cadeia nacional de rádio e televisão às 20h30 desta quarta (2), o presidente Jair Bolsonaro exaltou a marca de 100 milhões de doses distribuídas em todo o Brasil e disse lamentar o número de mortos.

E então começou a fantasia.

Narrando alguns índices econômicos, muitos deles de forma distorcida, o presidente vendeu um país de fantasia. Ao falar de vacinas liberadas pela Anvisa, evitou falar daquelas que lutou contra. Ou que passou 9 meses ausente.

Sua fala foi feita durante a CPI da Pandemia e horas após o governador de São Paulo, João Doria, prever a vacinação de toda a população adulta do estado até o dia 31 de outubro.

O pronunciamento desta quarta-feira foi o nono de Bolsonaro, em cadeia de rádio e TV, durante a crise sanitária da Covid-19.

Mas como esperado, deixando a pandemia de lado, focou-se na economia e criticou a política do “fica em casa”, dizendo que seu governo nunca mandou fechar o comércio.

Foi quando começaram os sons de paneladas e gritos de protesto – apoiadores do presidente, em defesa de seu ídolo, começaram a gritar “mito” satisfeitos com a situação do país.

Retirando qualquer responsabilidade pela grave crise, disse ter dado dado bilhões em auxílio emergencial – algo que, incialmente, ele recusara ter feito. Hoje mesmo, disse que quem quisesse mais, que fosse pedir empréstimo no banco.

Bolsonaro encerrou dizendo que faria de tudo, “no limite das quatro linhas da Constituição”, para manter os direitos da população. Enquanto isso, mais de 460 mil pessoas morreram.