27 de julho de 2021Informação, independência e credibilidade
Política

Ex-diretor confirma encontro em restaurante na CPI, mas nega propina

Pedido de 1 dólar por dose teria acontecido, segundo Dominghetti em seu depoimento na semana passada

O ex-servidor federal Roberto Ferreira Dias rechaçou hoje, em oitiva da CPI da Covid, a acusação feita pelo PM Luiz Paulo Dominghetti Pereira de que houve cobrança de propina em negociações para compra de vacinas contra a covid-19.

Ex-chefe de Logística do Ministério da Saúde, o depoente confirmou que esteve com o policial em um jantar no restaurante Vasto, em Brasília, mas negou ter solicitado qualquer tipo de vantagem ilícita durante o encontro.

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Os fatos em questão foram narrados à CPI por Dominghetti durante depoimento na semana passada. Apresentando-se como lobista da empresa americana Davati Medical Supply, ele alegou ter ouvido de Dias uma sugestão de propina de US$ 1 por dose em relação a suposta oferta que estava sobre a mesa (venda de 400 milhões de doses da AstraZeneca).

Em contrapartida, o ex-servidor atuaria no sentido de acelerar as tratativas e a assinatura do contrato —de acordo com o que contou Dominghetti à comissão.

Hoje, Dias respondeu à CPI que a narrativa do PM seria completamente fantasiosa, rotulando-o como “picareta” e “aventureiro”. De acordo com o depoente, os dois estiveram em um jantar informal em Brasília, em 25 de fevereiro.

Denúncia

O ex-diretor do Departamento de Logística do Ministério da Saúde Roberto Ferreira Dias é acusado de pedir propina para autorizar a compra da AstraZeneca.

Ele foi exonerado do cargo em junho, depois da denúncia de que teria pedido propina para autorizar a compra da vacina AstraZeneca pelo governo federal. Dias nega a acusação.

O presidente Jair Bolsonaro tentou indicar o mesmo Roberto Ferreira Dias para o cargo de diretor da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) em outubro de 2020.

O próprio presidente recuou e solicitou que o Senado desconsiderasse a indicação, depois que o servidor foi acusado de assinar um outro contrato suspeito de irregularidades. Também na área da Saúde.

Covaxin

Os requerimentos para a convocação foram apresentados pelos senadores Humberto Costa (PT-PE) e Otto Alencar (PSD-BA). Nos pedidos, os parlamentares querem esclarecer também o suposto envolvimento de Roberto Ferreira Dias em irregularidades na compra de outro imunizante: o indiano Covaxin.

De acordo com Humberto Costa, Dias assinou um “contrato bilionário” para a compra da vacina, o que vem sendo investigado pela CPI.

“O contrato prevê a entrega de 20 milhões de doses, ao valor unitário de US$ 15, no valor total de R$ 1,614 bilhões. Considerada a vacina mais cara do Brasil, o contrato foi firmado com a empresa indiana Bharat Biotech, representada pela empresa brasileira Precisa Medicamentos”. Humberto Costa.