O presidente da CPI da Covid, senador Omar Aziz (PSD-AM), deu ordem de prisão ao ex-diretor de Logística do Ministério da Saúde, Roberto Ferreira Dias, sob a acusação de mentir à comissão. É o primeiro depoente a ser detido pela CPI, após muitas ameaças às testemunhas.
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Mais cedo, Aziz já havia alertado o Dias sobre suas declarações à CPI. “Nós queremos só a verdade. Estou lhe dando fatos que tenho conhecimento e a CPI tem conhecimento, para que Vossa Excelência possa se defender. Senão, sempre vai arrebentar a corda no mais fraco”, disse o senador.
“Estou tentando lhe ajudar, estou sendo sincero com você. Agora, Vossa Excelência chegar aqui e dizer que saiu [do Ministério da Saúde], não sabe por quê; lhe tiraram poderes no seu departamento, não sabe por quê; demitiram duas pessoas que trabalhavam diretamente com o senhor, o senhor não sabe por quê”. Omar Aziz, presidente da CPI.
O nome de Roberto Ferreira Dias veio à tona após reportagem publicada no último dia 29 pela Folha de S.Paulo. Ele foi acusado pelo policial militar Luiz Paulo Dominghetti de ter cobrado propina para fechar a compra de 400 milhões de doses da vacina da AstraZeneca. O pedido, disse o PM ao jornal, teria sido feito em um jantar no Brasília Shopping, em 25 de fevereiro.
Dias teve sua exoneração anunciada na noite do dia 29, logo após a publicação da reportagem da Folha. O Ministério da Saúde afirma que a decisão foi tomada pela manhã.
Senadores
A tropa de choque do governo logo pediu para que Omar Aziz reconsiderasse a detenção. Marcos Rogério (DEM-RO) afirmou que a decisão configura “abuso de autoridade” e falou em “ilegalidade flagrante” já que naquele momento o presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (DEM-MG), já havia aberto a ordem do dia.
Nem mesmo mesmo independentes e oposicionistas concordaram em peso com a decisão. Alessandro Vieira (Cidadania-SE) disse que seria inconsistente com decisões anteriores, quando Aziz indeferiu pedidos de prisão.
“A gente não colocou um general que estava mentido na cadeia, a gente não colocou um Wajngarten. Não foi o primeiro que mentiu”. Alessandro Vieira.
Aziz, no entanto, manteve sua decisão e encerou a sessão de hoje com a prisão de Dias.

Denúncia
O ex-diretor do Departamento de Logística do Ministério da Saúde Roberto Ferreira Dias é acusado de pedir propina para autorizar a compra da AstraZeneca.
Ele foi exonerado do cargo em junho, depois da denúncia de que teria pedido propina para autorizar a compra da vacina AstraZeneca pelo governo federal. Dias nega a acusação.
O presidente Jair Bolsonaro tentou indicar o mesmo Roberto Ferreira Dias para o cargo de diretor da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) em outubro de 2020.
O próprio presidente recuou e solicitou que o Senado desconsiderasse a indicação, depois que o servidor foi acusado de assinar um outro contrato suspeito de irregularidades. Também na área da Saúde.














