26 de setembro de 2021Informação, independência e credibilidade
Política

Fiesp suspende manifesto de respeito à Constituição para após 7 de setembro

Presidente da entidade avisou ao governo da suspensão de documento que já contava com apoio de 200 entidades empresariais

Patos infláveis usados nas manifestações contra Dilma foram bancados pela Fiesp

O manifesto com a assinatura de 200 entidades empresariais para pedir harmonia entre os Poderes da República, em apenas cinco parágrafos e que de forma prévia começou a circular neste sábado (28), foi suspenso.

Após o embate interno na Febraban (Federação Brasileira de Bancos) e com a repercussão no governo sobre o manifesto “a favor da democracia” elaborado pela Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo), o presidente da entidade, Paulo Skaf, decidiu adiar a divulgação do documento.

A previsão era que fosse publicado amanhã (31) e que “alguém” da Febraban, entidade que representa os bancos, teria transformado o documento em um ataque ao governo de Jair Bolsonaro.

O documento, no entanto, não cita nenhum dos representantes dos três Poderes da República e destaca que as entidades signatárias “veem com grande preocupação a escalada de tensões e hostilidades entre as autoridades públicas.”

A expectativa agora é que o documento só seja divulgado depois do feriado de 7 de setembro, quando o presidente Jair Bolsonaro pretende participar de manifestações a favor do seu governo em Brasília e em São Paulo.

O documento, que inicialmente seria divulgado nesta terça-feira (31), provocou uma crise institucional em uma das entidades signatárias, a Febraban. No final de semana, o Banco do Brasil e a Caixa Econômica Federal afirmaram que deixariam a Federação caso ela assinasse o documento.

Confira a versão mais recente:

A praça dos três poderes encarna a representação arquitetônica da independência e harmonia entre o Legislativo, o Executivo e o Judiciário, essência da República. Esse espaço foi construído formando um triângulo equilátero, cujos vértices são os edifícios-sede de cada um dos poderes.

Esta disposição deixa claro que nenhum dos prédios é superior em importância, nenhum invade o limite dos outros, um não pode prescindir dos demais. Em resumo, a harmonia tem de ser a regra entre eles.

Este princípio está presente de forma clara na Constituição Federal, pilar do ordenamento jurídico do país. Diante disso, é primordial que todos os ocupantes de cargos relevantes da República sigam o que a Constituição nos impõe.

As entidades da sociedade civil que assinam este manifesto veem com grande preocupação a escalada de tensões e hostilidades entre as autoridades públicas. O momento exige de todos serenidade, diálogo, pacificação política, estabilidade institucional e, sobretudo, foco em ações e medidas urgentes e necessárias para que o Brasil supere a pandemia, volte a crescer, a gerar empregos e assim possa reduzir as carências sociais que atingem amplos segmentos da população.

Mais do que nunca, o momento exige do Legislativo, do Executivo e do Judiciário aproximação e cooperação. Que cada um atue com responsabilidade nos limites de sua competência, obedecidos os preceitos estabelecidos em nossa Carta Magna. Este é o anseio da Nação brasileira.