26 de junho de 2022Informação, independência e credibilidade
Brasil

Fugindo do MP, Queiroz diz ser tratado como “o pior bandido do mundo”

Ex-assessor afirmou que dará as explicações apenas ao MP “por respeito” ao órgão, mas não informou a data

O ex-assessor do senador eleito Flávio Bolsonaro (PSL), e amigo do presidente Jair Bolsonaro, Fabrício Queiroz disse que esclarecerá “em breve” as movimentações atípicas em sua conta apontadas pelo Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf). Mas não disse quando. E ainda inventou de reclamar por ser tratado como “o pior bandido do mundo”.

O ex-assessor afirmou que dará as explicações apenas ao MP “por respeito” ao órgão, mas não informou a data. “Vocês saberão. Vocês sempre sabem de tudo”. Então conta logo.

“Após a exposição de minha família e minha, como se eu fosse o pior bandido do mundo, fiquei muito mal de saúde e comecei a evacuar sangue. Fui até ao psiquiatra, pois vomitava muito e não conseguia dormir“, Fabrício Queiroz, que também é policial militar da reserva.

Alegando fortes dores, o ex-assessor atribuiu os problemas detectados recentemente em sua saúde à exposição do caso Coaf na imprensa. As dores, segundo ele, o teriam feito faltar a depoimentos marcados pelo Ministério Público.

Queiroz foi submetido a uma cirurgia para retirada de um tumor maligno no intestino, no Hospital Albert Einstein, em São Paulo, onde estava internado desde 30 de dezembro, e teve alta nesta terça-feira. Ele disse que pagou a conta dos serviços médicos com recursos próprios e declarou ter recibo para comprovar, mas não quis dizer o valor.

Se o senador Flávio Bolsonaro (não respondeu até o momento ao convite feito pelo MP-RJ (Ministério Público do Estado do Rio) para depor sobre a investigação, por que ele iria?

Coaf

O ex-motorista do senador eleito Flávio Bolsonaro (PSL-RJ) (que se fosse de esquerda seria tratado como Bolsonarinho ou Flavinho) fez 176 saques de dinheiro em espécie de sua conta em 2016. Uma retirada a cada dois dias naquele ano.

O Coaf achou estranha essa movimentação financeira, considera atípica, de R$ 1,2 milhão do policial militar Fabrício José Carlos de Queiroz. Esse valor inclui tanto saques como transferências, créditos em suas contas, entre outras operações.

No dia 10 de agosto de 2016, por exemplo, Queiroz fez cinco retiradas que, somadas, dão R$ 18.450. Todos os saques foram em valores abaixo de R$ 10 mil, a partir do qual o Coaf alerta automaticamente as autoridades fiscais.

E além dos vários saques de valores baixos, chamou a atenção um cheque de R$ 24 mil destinado à futura primeira-dama Michele Bolsonaro, ou “Dona Michele”. A filha do ex-motorista também era servidora da família, alocada no gabinete do então deputado federal Jair Bolsonaro.

Jair Bolsonaro

O presidente Jair Bolsonaro (PSL) concedeu sua primeira entrevista, após a posse, ao SBT, nesta quinta-feira (3). E afirmou que a quebra de sigilo bancário do amigo Fabrício Queiroz, ex-assessor de seu filho, o senador eleito Flávio Bolsonaro (PSL), foi ilegal.

“Quebraram o sigilo bancário dele sem autorização judicial. Cometeram um erro gravíssimo. E outra: a potencialização em cima dele e do meu filho foi para me atingir. Está mais do que claro isso daí também”. Jair Bolsonaro, Presidente do Brasil.

O argumento de Jair é que outros movimentaram mais, mas “ninguém toca no assunto”. Queiroz é investigado pelo Ministério Público do Rio de Janeiro por movimentação de R$ 1,2 milhão em um período de 13 meses. Ele depositou inclusive R$ 24 mil na conta da primeira dama, a Dona Michelle. Apesar disso, Bolsonaro afirma que a exposição de seu nome foi um “absurdo”.

É completamente diferente do que ele falou, quando o caso veio a tona: “Não sou contra vazamento. Tem que vazar tudo mesmo. Nem devia ter nada reservado. Tem que botar tudo para fora e chegar à conclusão”. Temeu que algo fosse descoberto? Em um passado recente, vazamentos e até escutas ilegais derrubaram presidentes.

O presidente voltou a dizer que “se tiver algo errado, que pague a conta quem cometeu esse erro”. Mas contestou o valor apontado pelo Coaf (Conselho de Controle de Atividades Financeiras): “não são R$ 1,2 milhão, são 600 mil reais”, disse. “Ele responde por seus atos. Não tenho nada a ver com essa história”

A movimentação foi considerada atípica pelo Coaf, transferido do extinto Ministério da Fazenda para o Ministério da Justiça e Segurança Pública, em decreto publicado nesta quarta-feira. Vale acrescentar que o presidente do Conselho foi exonerado por Bolsonaro no mesmo dia.