24 de junho de 2021Informação, independência e credibilidade
Alagoas

Governador Renan Filho segue como alvo de governistas por causa da CPI

O relator Renan Calheiros é pai do governador alagoano, que foi mencionado na comissão, por Carlos Bolsonaro nas redes e pelo próprio presidente

O governador Renan Filho está no meio da disputa entre o presidente e seu pai, o senador Renan Calheiros. Foto: Felipe Brasil

A escolha de Renan Calheiros (MDB-AL), senador alagoano, como relator da CPI da Pandemia no Senado, incomodou o governo Jair Bolsonaro.

Abertamente de oposição, governistas temem que um relatório parcial atinja apenas o governo federal e não foque nas possíveis falhas de governadores e prefeitos.

E um destes governadores seria Renan Filho, chefe do executivo de Alagoas, filho do relator na pandemia.

Ciente disso, a tropa de choque do governo na CPI, além de atacar ou desmerecer o papel do relator, insistem na tese de que o presidente Jair Bolsonaro não seria culpado pela mortandade na pandemia. Esse teria dado todo o dinheiro possível e não poderia ser responsável pelos erros ou mesmo desvios dos governadores e prefeitos.

Nesta terça (23), o senador governista Marcos Rogério (DEM-RO) listou os Estados que mantêm a cloroquina em seus protocolos. E na oportunidade, o parlamentar mostrou em telão, na sala da CPI, o protocolo da Secretaria de Estado da Saúde de Alagoas (Sesau-AL).

Ele, portanto, confirmou Alagoas como um dos estados que mantém protocolo ativo que inclui cloroquina como medicamento para ser usado em pacientes com Covid-19. A lembrança é importante por os senadores de oposição, em maioria na CPI, culpam o governo e principalmente o presidente Jair Bolsonaro pelo uso do medicamento inapropriado contra covid.

Alagoas foi o primeiro estado a ser listado pelo senador, que citou matéria do portal de notícias G1, onde foi confirmado pelo próprio governo de Alagoas a vigência do protocolo. A cloroquina está listada como potencial terapia.

“O protocolo vigente em Alagoas estabelece tratamento precoce e prevê também o uso de cloroquina e hidroxicloroquina. O protocolo tem os medicamentos específicos para os primeiros cinco dias da doença e para as demais fases”. Marcos Rogério.

Carlos Bolsonaro

O filho 01 do presidente Bolsonaro, o vereador pelo carioca Carlos Bolsonaro, nas redes sociais, também criticou o governador alagoano. Em postagem, ele criticou a “aglomeração do bem” que Renan Filho estaria promovendo em suas ações.

O exemplo usado foi uma solenidade do governo de Alagoas, na cidade de São Luis do Quitunde, que aconteceu ontem (24), na Região Norte do estado. Na oportunidade, Renan Filho no palanque é o único sem máscara.

“Quando a aglomeração e o não uso de máscaras é do bem, que mal tem? Com a palavra o filho do relator da “cpi”. Carlos Bolsonaro.

Entre os comentários, que atacavam o governador alagoano, estava o do deputado estadual Cabo Bebeto, de oposição em Alagoas:

“É só mais um exemplo, do faça o que eu digo, mas não faça o q eu faço”! Cabo Bebeto, deputado estadual.

Cabo Bebeto é o mesmo, que há um ano, em maio de 2020, duvidou do registro de óbitos e fez um “questionamento” sobre a gravidade da situação. Ele  também é contrário o uso obrigatório de máscaras. Mais recentemente, disse que “democracia demais vira anarquia“.

Cabo Bebeto, em postagem “indagadora” em maio do ano passado

Jair Bolsonaro

Na mesma live em que ameaçou proibir as eleições de 2022, se não houver voto impresso, o presidente Jair Bolsonaro atacou o filho do senador Renan Calheiros e pediu que, Renan Filho, governador de Alagoas, seja convocado pela CPI da Covid.

O senador Calheiros é o relator, faz oposição ao presidente. Seu filho, o governador de Alagoas, foi acusado por Bolsonaro de desvio de recursos em Alagoas.

O governador de Alagoas, único do Nordeste convidou para a reunião em que Bolsonaro, pela enésima vez, prometia mudar de tom, e ontem criticou a manutenção das patentes para vacinas de covid, respondeu: “soa mais como ameaça de retaliação à CPI”.

Renan Calheiros

A situação aconteceu duas semanas depois do presidente ligar parar Renan Filho, dizer que CPI é inoportuna e que queria conversar com Renan Calheiros. O senador, por outro lado, diz que não tem dificuldade para o diálogo por que sempre se guiou pela ponderação.

Dessa vez, Bolsonaro não falou no nome de Renan Filho diretamente, mas deixou um recado claro ao senador alagoano: ele afirma que suas palavras não matam ninguém, mas que o desvio sim:

“Sabe o que eu diria para o senador? Prezado senador, frase não mata ninguém. O que mata é desvio de recurso público, que seu estado desviou. Vamos investigar seu filho que a gente resolve o problema. Desvio mata. Frase não mata”. Jair Bolsonaro, presidente.

Naquele mesmo dia, enquanto interrogava Marcelo Queiroga, atual ministro da Saúde, Renan Calheiros disse que o que mata pessoas é a inércia do Brasil na tomada de atitudes.

“Com todo respeito ao presidente, o que mata é a pandemia, pela inércia que eu torço que não seja dele (Bolsonaro). Não queremos fulanizar isso. Com relação ao estado de Alagoas, que ele não gaste seu tempo ociosamente como tem gasto seu tempo enquanto os brasileiros estão morrendo. Aqui nesta CPI, se houver necessidade, todos serão investigados, sem exceção”. Renan Calheiros, relator da CPI.

O senador Eduardo Girão (Podemos-CE), da tropa de choque do presidente, acusou o relator da CPI de agir com parcialidade. Segundo ele, Calheiros foi “cordial” com o ex-ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, ouvido na terça-feira (4), e que foi “afrontoso” com o também ex-ministro Nelson Teich e com o atual ministro.