21 de junho de 2021Informação, independência e credibilidade
Política

Renan cita holocausto no inquérito da Capitã Cloroquina e irrita governistas

“Há uma semelhança assustadora, terrível, tenebrosa e perturbadora no comportamento de algumas altas autoridades que testemunharam aqui”, disse o relator da CPI

Na manhã desta terça (25), Renan Calheiros, relator da CPI da Pandemia, fez a introdução de seu inquérito a secretária de Gestão do Trabalho e da Educação na Saúde do Ministério da Saúde, Mayra Pinheiro. A Capitã Cloroquina.

Antes de começar a perguntar, citou o genocídio cometido por nazistas ao longo da Segunda Guerra Mundial que matou cerca de seis milhões de judeus, ciganos, homossexuais, testemunhas de Jeová, deficientes físicos e mentais, opositores políticos etc.

“Não podemos comparar uma barbárie como o holocausto com uma tragédia como a pandemia no Brasil, que até hoje matou mais de 450 mil pessoas. Não podemos dizer, e por isso não há prejulgamento, que aqui ocorreu um genocídio. Não podemos dizer ainda. Mas podemos dizer sim que há uma semelhança assustadora, terrível, tenebrosa e perturbadora no comportamento de algumas altas autoridades que testemunharam aqui na CPI e os relatos de um dos marechais do Nazismo no tribunal de Nuremberg”. Renan Calheiros, relator da CPI.

Isso, como era de se imaginar, irritou senadores da tropa de choque do governo. O senador Fernando Bezerra (MDB-PE) interrompeu Renan. Logo depois, Marcos Rogério (DEM-RO) e Flávio Bolsonaro (Republicanos-RJ) tentaram impedir o relator.

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Até mesmo o senador Omar Aziz (PSD-AM), presidente da CPI, também repreendeu Renan e pediu silêncio aos senadores. Flávio, o filho 02 do presidente, interrompeu novamente, e Aziz ameaçou cortar o som dos parlamentares.

Pazuello

Na semana passada, o senador Alessandro Vieira (Cidadania-SE), enquanto interrogava o general Eduardo Pazuello, comparou o ex-ministro da Saúde de Bolsonaro a Arnold Eichmann, o burocrata nazista que cuidava da logística do holocausto judeu.

“Ele agiu segundo o que acreditava ser o seu dever, cumprindo ordens superiores e movido pelo desejo de ascender em sua carreira profissional, na mais perfeita lógica burocrática. Cumpria ordens sem questioná-las, com o maior zelo e eficiência, sem refletir sobre o Bem ou o Mal que pudessem causar”. Alessandro Vieira.

A fala provocou reações entre governistas, que não gostaram da comparação, especialmente pelo fato dos pais de Pazuello serem judeus.

A menção ao burocrata do holocausto, então, foi retirada dos autos. Vieira compreendeu a retirada, mas fez questão de reiterar: a questão era com o excesso burocrático, que Pazuello estaria repetindo.

Isso porque Pazuello evitou falar diretamente com empresas, questionou preços das doses e, até agora, isenta o presidente Jair Bolsonaro de todos os seus mandos e desmandos.

Momentos antes, o próprio Vieira não teve respondido quem teria autorizado o fechamento do hospital federal de campanha no estado do Goiás.