20 de abril de 2021Informação, independência e credibilidade
Brasil

Governo Bolsonaro abraça a Idade Média ao falar em “cristãos dispostos a morrer”

Além da crise sanitária, econômica e política, topamos com uma “Guerra Santa”

Adgogado-geral da União, Andre Mendonça se curva para melhor agradar seu presidente, Jair Bolsonaro

O Brasil vai cada vez mais escavando o fundo do poço que se enfiou. Há quem diga que serviria para esconder melhor a cara de vergonha ou para caber mais os mortos, com números que vem batendo recorde. E como não poderia ser diferente, em um governo que trava uma batalha ideológica contra moinhos de vento, o absurdo viria no fanatismo religioso.

“Cristãos estão dispostos a morrer para garantir a liberdade de religião e culto”.

A frase acima foi dita pelo advogado-geral da União, André Mendonça, durante julgamento do STF, nesta quarta (7), que avalia se templos religiosos devem ficar abertos neste momento. E diante do argumento fatalista, digno dos piores momentos da Idade Média, já deve ser óbvio que a resposta é não.

Hoje, o vírus só pode ser negado por situações extremas, seja por uma elaborada ginástica cerebral ou por completo retardo mental. Hospitais lotados, medicamentos e oxigênio acabando, recordes de mortes, população brasileira diminuindo de tamanho.

Tudo provocado por uma praga contagiosa, que se dissemina através do contato, através do ar. O sensato defenderia um distanciamento temporário, até a chegada da vacina. O fanático quer morrer pra ir ver o pastor.

Nestas horas, não há Coríntios que faça lembrar que cada corpo é um templo do Senhor e que onde estiver, a pessoa pode rezar e ser ouvida.

Guerra Santa

Essa cruzada religiosa travada pelo governo (em mais um momento inoportuno) vem, surpresa, repleta de distorções. Acusam censura religiosa, uma afronta aos crentes e até satanismo – teve até presidente de partido, condenado por corrupção e amicíssimo de Bolsonaro, ensinando em vídeo como travar uma batalha religiosa.

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E é isso o que vem acontecendo: o Brasil além da crise sanitária, econômica e política, resolveu encontrar uma Guerra Santa pra se coçar. Mendonça, que é pastor, falou como pastor no julgamento sobre a liberação de templos no STF.

Afirmando que “todo cristão sabe e reconhece os riscos e perigos dessa doença terrível e todo cristão sabe que precisa tomar cuidados e cautelas diante dessa enfermidade”, entrou em alta contradição ao citar a bíblia

“Pois onde se reunirem dois ou três em meu nome, ali eu estou no meio deles”. Mendonça, citando a Bíblia.

Não precisa ir pra igreja agora! Reza em casa!

André Mendonça, rebaixado do ministério da Justiça para ser novamente o advogado-geral da União, mostrou nesta quarta (7) no STF que segue sendo completamente subserviente ao seu lord, o presidente Jair Bolsonaro.

Em tempo: até Jesus tinha limites. Mesmo pregando ensinamentos simples como a busca pela paz (se agredido, ofereça a outra face) ou reconhecimento das próprias falhas (quem não tem uma, que atire a primeira pedra), ele já perdeu a paciência.

Com fúria divina, o filho do Senhor expulsou na base dos gritos e do chicote quem fazia de templos religiosos um mercado de negócios.

E caso Ele retorne, é de se imaginar que sua fúria durante a limpeza do Templo se repita. E aqueles incapazes de seguir preceitos simples (como amor e paz) seriam seus primeiros alvos