25 de junho de 2022Informação, independência e credibilidade
Política

Há uma semana de protesto de apoio, Bolsonaro corre para amenizar crise

Medidas provisórias caducando, filho tendo contas investigadas, influenciadores afastados: tudo em menos de 5 meses

Queimando pontes e com erros de articulação, Bolsonaro perdeu força

Após o texto disparado por Jair Bolsonaro no WhatsApp, afirmando que o Brasil é ingovernável e tudo conspira contra ele, seus apoiadores organizam para este domingo (26) um protesto de apoio ao presidente. O problema para estes é que, após quase 5 meses de governo, o oba-oba vai se esvaziando e promete se refletir neste final de semana: o governo Bolsonaro está em perigo.

Nem mesmo os militares, outrora apoiadores incondicionais do capitão reformado do exército, estão 100% com ele. Culpa em parte de um processo de críticas públicas realizadas pelo guru astrólogo Olavo de Carvalho e seu filho Pitbull, Carlos Bolsonaro. Até mesmo o vice-presidente, general Hamilton Mourão, teve protocolado pedido de impeachment por Marcos Feliciano, um dos nomes fortes do governo.

Sem saber nem mesmo o que é articulação, o governo precisará lidar com o Legislativo para garantir, em um prazo maior, pelo menos de 15 dias a aprovação de 11 medidas provisórias prestes a expirar. A maioria delas tem relevante impacto econômico e na estrutura administrativa do governo.

Medidas provisórias assinadas por Michel Temer e Jair Bolsonaro vão caducar

Algumas delas são de autoria do governo, como a reforma administrativa. Outras, consideradas importantes pela equipe econômica, são herança do governo Temer, como a que abre o setor aéreo para o capital estrangeiro. Para piorar, seu decreto que flexibiliza o porte de armas no Brasil é considerado inconstitucional.

O Palácio do Planalto corre ainda para que sua reforma da Previdência finalmente avance. Para desespero do governo e de indicadores de economia da Nação, deputados já se organizam para fazer uma reforma própria.

Isso tudo enquanto o filho mais velho do presidente, o senador Flávio Bolsonaro (PSC-RJ), afunda em um inquérito que apura lavagem de dinheiro milionária. E com quebras de sigilo fiscal que chegam à sua esposa e pode até mesmo alcançar a ex-mulher e também a primeira-dama, a atual esposa do presidente Bolsonaro.

Janaína Paschoal se esquiva do discurso do presidente

Sem apoio

Além da oposição, as derrotas recentes do governo no Congresso contam como patrocinador o chamado centrão, grupo informal de partidos formado por DEM, PSD, PTB, PP, PR, entre outros. O DEM, por exemplo, comanda a Câmara, o Senado e três ministérios do governo.

Quanto a organização do protesto de domingo, a articulação de formadores de opinião e grupos que ajudaram na queda de Dilma não estarão presentes. Janaína Paschoal, um símbo do último impeachment, já pede até “pelo amor de Deus” que não ajudem neste domingo:

Até mesmo o Movimento Brasil Livre (MBL) está tirando o corpo fora. Um dos maiores nomes de referência da nova direita já arma o discurso de “eu avisei” e “a culpa não é nossa”.

Tudo indica que os protestos de apoio não terão a mesma força dos que são contrários ao atual governo, caso da Paralisação Nacional da Educação. E a história pode se repetir, pois os mesmos atores que ajudaram a derrubar Dilma já ensaiam discurso para derrubar o novo presidente. E mesmo que em vias tortas, Bolsonaro acertou numa: o Brasil está ingovernável. Mas isso é tudo culpa dele.

O MBL de Kim não aparecerá mais na mesma foto com Bolsonaro