20 de outubro de 2021Informação, independência e credibilidade
Política

Petrucell assume Fundação Palmares no lugar de Sergio Camargo e avisa: “Nada vai mudar”

Um foi afastado acusado de assédio moral, perseguição ideológica e discriminação contra funcionários, o outro também tem histórico de declarações racistas

No início desta semana (11), a Justiça do Trabalho em Brasília proferiu decisão em que afasta Sérgio Camargo, presidente da Fundação Palmares, da gestão de funcionários na entidade.

O bolsonarista então não poderia nomear nem exonerar servidores, já que em uma ação apresentada pelo Ministério Público do Trabalho (MPT) Camargo é acusado de assédio moral, perseguição ideológica e discriminação contra funcionários da Fundação Palmares.

Entretanto, nada vai mudar: aparentemente, o assédio moral, a perseguição ideológica e a discriminação contra funcionários, além de, principalmente, os mandos e desmandos do próprio Camargo, seguirão em frente. E quem afirma isso é Marcos Petrucell, presidente interino da Fundação:

Marcos Petrucelli, que se diz “crítico” de cinema, também tem um histórico de declarações racistas. Algo que joga contra ele é rejeitar a existência de violência racial, quando afirma que as pessoas negras não são agredidas gratuitamente por um “cidadão normal”.

Petrucelli também já afirmou que o Haiti é o país “mais pobre e mais bosta do Caribe”, logo após um haitiano criticar o presidente Bolsonaro.

Ele também é adepto das mentiras, e desinformação, como a absurda possibilidade de Suzane Von Richthofen ser candidata a vereadora pelo PT.

Pior: ele é um monstro negacionista, passando do ponto e até mesmo mandando vacinas se foderem:

Sergio Camargo

O MPT também pede que Camargo pague R$ 200 mil por danos morais. Segundo matéria do Fantástico, que falou primeiro sobre o caso, todos os 16 depoimentos contra Sérgio Camargo convergem para os crimes de assédio moral, perseguição ideológica e perseguição. O alvo de Camargo são, especialmente, o que ele chama de “esquerdistas”.

Segundo denúncias, pessoas são chamadas aos gritos e humilhadas publicamente. Entre os comentários dele estão coisa do tipo “esses homens que têm esses cabelos altos e de periferia é tudo malandro”, segundo disse um ex-funcionário na matéria.

Camargo pedia ainda que “se achasse um esquerdista, era para avisar”. Ainda segundo os relatos obtidos pelo Fantástico, um ex-diretor era chamado pelo presidente da Fundação Palmares de “direita-bundão” por não exonerar os “esquerdistas”.

O presidente da Fundação Cultural Palmares já chegou a dizer que amigos e familiares se afastaram e “deram as costas” porque ele “apoia e acredita” no presidente Jair Bolsonaro. Ele considerou como “livramento” a rejeição de pessoas próximas.

Em suas redes sociais, Carmago, que é negro, negou as acusações criando novas provas contra si. Ele afirmou que nunca desqualificou “a aparência de ninguém em toda a minha vida” e afirmou que “orgulho do cabelo é ridículo para o negro”.

Seja por manobra bolsonarista de endossar polêmica atrás de polêmica ou porque simplesmente surtou, nas últimas 24 horas Camargo realizou diversas postagens de ódio em suas redes sociais. Na maioria, contra a população negra e a África.