23 de junho de 2021Informação, independência e credibilidade
Política

PF encontra vínculos de Michelle Bolsonaro com contas fakes e o “gabinete do ódio”

Rede da primeira-dama acessou as contas Bolsonaronews e do assessor tido como líder do gabinete; Também foi identificado acesso no gabinete do deputado Eduardo Bolsonaro

A primeira-dama Michelle Bolsonaro está ligada ao “gabinete do ódio” a contas falsas usadas para disseminar desinformações e ataque contra opositores do presidente Jair Bolsonaro. Esta é a conclusão da Polícia Federal.

A “hipótese criminal” levantada pela PF, no inquérito aberto para investigar atos antidemocráticos, afirma que o próprio presidente Jair Bolsonaro e seus três filhos parlamentares (Eduardo, Carlos e Flávio) mobilizariam a redes sociais para “incitar parcela da população à subversão da ordem política” de meados de 2018 até 2020.

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Como prova disso, uma série de contas de redes sociais inautênticas detectadas por auditoria do Facebook foi listada após quebras de sigilos. E no “grupo Brasília”, a polícia localizou 31 pessoas vinculadas a contas usadas para “operações executadas por um governo para atingir seus próprios cidadãos”. Entre eles, Michelle.

A primeira dama é listada pela PF como “esposa de Jair Messias Bolsonaro”, o “proprietário” das contas Bolsonaronews, no Instagram. Tércio Arnaud Tomaz, assessor da Presidência da República no chamado “gabinete do ódio”, é apontado pela polícia como proprietário das contas Bolsonaronews no Facebook e Tercio Arnaud Tomaz.

Uma quebra de sigilos de endereços de internet mostra que, em 5 e em 6 de novembro de 2018, Arnaud usou a rede de Michelle Bolsonaro, instalada na casa do presidente da República na Barra da Tijuca, no Rio de Janeiro. Lá, acessou as contas Bolsonaronews e Tercio Arnaud Tomaz.

O email cadastrado na operadora de telefonia era de uma assessora do presidente da República. “Trata-se, ao que tudo indica, do endereço residencial do próprio Presidente Jair Bolsonaro no Rio de Janeiro”, escreveu o analista da Polícia Federal.

Os filhos Carlos, Flavio e Eduardo Bolsonaro, principais acusados de comandar as milícias digitais do pai presidente, Jair Bolsonaro

Só a presidência fez 408 acessos a conta “inautênticas”. Segundo dados do Facebook, foram 1.045 acessos a contas falsas feitas em órgãos públicos.

Para acessar as Bolsonaronews e Tercio Arnaud Tomaz, foram 408 acessos de dentro da Presidência da República e 15 do Comando da 1ª Brigada da Artilharia Antiaérea.

Essas duas contas eram acessadas ainda de dentro da Câmara dos Vereadores do Rio de Janeiro, mas o relatório não informa se era mesmo o gabinete do vereador Carlos Bolsonaro (Republicanos).

Na Câmara dos Deputados, foi identificado que os acessos a essas e outras contas partiram do deputado Eduardo Bolsonaro (PSL-RJ), filho “03” do presidente, e de um assessor dele.

No Senado, ainda não houve resposta do órgão. Na Presidência, a PF solicitou as informações cadastrais novamente porque os dados vieram em formato digital incorreto.

Documento de 154 páginas

Ao analisar parte dos perfis apontados pela rede social como falsos, os investigadores que atuam no inquérito dos atos antidemocráticos conseguiram identificar assinantes de redes privadas das quais partiram 844 acessos, incluindo uma provedora ligada à primeira-dama Michelle Bolsonaro.

As informações constam em relatório enviado ao Supremo Tribunal Federal pela delegada Denisse Dias Rosas Ribeiro em dezembro.

No documento de 154 páginas, a delegada descreve os achados da PF, com base no relatório da Atlantic Council – instituição que realiza análise independente de remoções do Facebook por comportamento inautêntico coordenado – ao tratar de uma das hipóteses criminais sob suspeita no inquérito dos atos antidemocráticos.

Nessa linha de investigação, a PF mira o ‘movimento online de pessoas associadas para supostamente promover a difusão de ideias com potencial de causar instabilidade na ordem política e social’, identificada no relatório produzido para o Facebook. Após a plataforma divulgar a derrubada das contas apontadas no documento, os investigadores pediram para acessar os dados.

O ministro Alexandre de Moraes, relator do caso no Supremo Tribunal Federal, deferiu o acesso ao relatório. Segundo os investigadores, o Facebook apontou que a derrubada das contas se deu ‘em consonância com as medidas previstas para a seguinte tipologia estabelecida pela empresa’:

“operações executadas por um governo para atingir seus próprios cidadãos. Isso pode ser particularmente preocupante quando combinam técnicas enganosas com o poder de um Estado”.

Também consta na lista um assessor parlamentar lotado no gabinete do senador Flávio Bolsonaro, Fernando Nascimento Pessoa. A partir de sua internet, teriam sido acessadas as contas ‘SnapNaro’, ‘Trump We Trust’, ‘DiDireita’, ‘Tudo é Bolsonaro’, ‘Porque o Bolsonaro?’ e ‘Snapressoras’.


Segundo os dados fornecidos pela Câmara, um conta de nome ‘Eduardo Guimarães’ estaria ligada ao usuário de Carlos Eduardo Guimarães, listado como secretário parlamentar do deputado Eduardo Bolsonaro, e também ao usuário do próprio parlamentar.