Em entrevista ao programa Doze e Dez Notícias, na Rádio Pajuçara, o senador Rodrigo Cunha foi enfático ao falar do Pinheiro, bairro de Maceió que sofre problemas estruturais e antecipou o laudo da Defesa Civil Nacional: a situação, segundo ele, é de que a situação é gravíssima, se tornou prioridade acima das barragens e o local pode se tornar até mesmo “inabitável”.
O laudo oficial da equipe de geólogos da CPRM, com os estudos realizados no bairro da Capital, deve sair em duas semanas, mas Cunha já alerta a população desde então. Os próprios técnicos adiantaram ao senador que há necessidade de adotar medidas preventivas para que aconteça algo mais grave.
Na entrevista, o senador disse que, há duas semanas, teve uma conversa com coronel Alexandre Lucas, secretário de Defesa Civil Nacional, do governo Bolsonaro, ao lado do ministro do Desenvolvimento Regional, Gustavo Canuto, e disse que seu nível de atenção no problema passou “da luz amarela para luz vermelha”.
“‘Rodrigo, é uma catástrofe anunciada’, me disse o secretário da Defesa Civil Nacional. ‘Esta é a prioridade absoluta desta secretaria, à frente das barragens’, e isso na frente do ministro. A constatação é de que as mudanças geológicas continuam ocorrendo no local, ano a ano.”. Senador Rodrigo Cunha (PSDB).
As suspeitas são ainda de que a mineração na região teriam provocado o afundamento no bairro. Sério, Cunha alerta para o fato de que o que adiantou no lado, não é “fake news”.
Nesta quinta-feira (21), o Senado realiza uma audiência pública sobre o Pinheiro, com participação de autoridades federais, estaduais e municipais, além da equipe da CPRM que faz os estudos geológicos no bairro. Presidida por Cunha, a audiência foi aprovada por unanimidade pela Comissão de Transparência, Governança, Fiscalização e Controle e Defesa do Consumidor.
Tremor e extração
O Pinheiro tem pouco mais de 19 mil habitantes. Segundo a Defesa Civil de Maceió, as fissuras provocadas pelo tremor chegam a 1,5 km de extensão e afetam cerca de 2.480 moradias, com 777 delas já desocupadas.
Há um mês, mais de 700 pessoas, entre órgãos da Prefeitura de Maceió, do Governo do Estado e da União, já realizaram, inclusive, um simulado de evacuação.
Cerca de 2.700 negócios estão abertos no local, responsáveis por 39 mil postos de trabalho e movimentando R$ 1 bilhão de reais todos os anos, segundo a Federação do Comércio de Alagoas (Fecomércio). E desde que os problemas estruturais atingiram as construções, a queda nas vendas atingiu 70%.
O Pinheiro vem sofrendo com o surgimento de fissuras em paredes de prédios residenciais e comerciais, além de afundamentos de pisos de casas e leitos de ruas. A situação se agravou em março de 2018, após um tremor de terra sentido no bairro. O abalo sísmico foi registrado com a magnitude de 2,4 MR (Magnitude Regional).
Na época a Defesa Civil fez sua investigação e mapeamento no bairro, mas não chegou a conclusão sobre o fenômeno. No entanto, autoridades e técnicos na área chegaram a revelar, embora timidamente, que a extração da sal gema no bairro do Mutange estaria provocando o deslocamento de terra no alto do Pinheiro.
Esse deslocamento, segundo foi dito, teria se dado em função do vazio e das crateras surgidas nas áreas de extração e isso teria feito a terra tremer. O mineral é extraído em Maceió desde a instalação da fábrica da antiga Salgema no Trapiche da Barra, na década de 70.














