26 de junho de 2022Informação, independência e credibilidade
Brasil

Sem alta: Bolsonaro tem dreno e sonda nasogástrica retirados

Sonda incomodava presidente e que não está mais sentindo náuseas e teve o que foi considerado o melhor dia desde a cirurgia

O presidente Jair Bolsonaro teve o dreno e a sonda nasogástrica retirados nesta sexta-feira. O dreno havia sido colocado no seu abdômen há quatro dias para retirada de líquido acumulado próximo ao local onde estava ligada a bolsa de colostomia, sendo retirado pela equipe da radiologia intervencionista.

A melhora do quadro intestinal e a boa aceitação da dieta líquida possibilitaram a retirada da sonda nasogástrica, segundo o Hospital Israelita Albert Einstein, onde o presidente permanece internado, na Unidade Semi-Intensiva.

O porta-voz da Presidência da República, Otávio do Rêgo Barros, disse que a sonda incomodava Bolsonaro e que ele não está mais sentindo náuseas, o que era um dos motivos para a colocação da sonda. “Hoje foi o melhor dia que o presidente passou”, avaliou o porta-voz sobre o período de internação do presidente.

Por ordem médica, as visitas permanecem restritas. No entanto, o ministro da Infraestrutura esteve no hospital nesta tarde para tratar de assuntos da pasta. Bolsonaro conversou hoje com o vice-presidente, general Hamilton Mourão, por telefone.

Antibióticos

Médicos afirmam que a detecção da pneumonia em Bolsonaro, que tem 63 anos e foi vítima de uma facada durante as eleições, integra um quadro de complicação clínica que inspira cuidados. Antes, seu intestino parou de funcionar dois dias após a operação e por isso ele já estava tomando antibióticos.

A infecção é uma piora que costuma se manifestar depois de 48 horas de uma internação, geralmente com mais de sete dias. E apesar das recomendações de repouso, as constantes visitas e sua insistência em trabalhar permitiram este cenário. Com isso, não é possível apontar com precisão o que estaria acontecendo de fato e ele precisa ser observado.

Os imprevistos começaram na própria cirurgia. O plano original era religar as duas pontas do intestino grosso que estavam separadas, o que levaria três horas. Mas por causa da grande quantidade de aderências, partes do intestino que ficam coladas, foi retirado o cólon direito e construída uma ligação direta entre o intestino delgado e o intestino grosso. A cirurgia levou sete horas.

No sábado passado, ele teve episódios de náuseas e vômitos, causado por infecção intra-abdominal, que necessitou de drenagem. O quadro levou à paralisia do intestino delgado. Seu estômago também está com acúmulo de líquido. E se antes sua conta pessoal procurava tranquilizar sobre a recuperação, nada mais se fala sobre alta hospitalar por enquanto.

Bolsonaro continua usando antibióticos para tratar a pneumonia, mas hoje (8) não fez exame de imagem para avaliar a evolução da doença, segundo Barros.

A nutrição está sendo feita via parenteral, associada à ingestão oral de líquidos como caldos de carne e de galinha, além de gelatina. Estão mantidas as medidas de prevenção de trombose venosa e os exercícios respiratórios, de fortalecimento muscular e períodos de caminhada fora do quarto.

Segundo o hospital, o presidente apresentou boa evolução clínica nas últimas 24 horas, continua estável, sem febre e sem dor, e teve melhora dos exames laboratoriais. “Os médicos só vão liberar o presidente quando ele puder sair pela porta da frente”, disse Barros, ao explicar que o tratamento com antibióticos tem duração de sete dias.

Na manhã desta sexta (8), antes da retirada da sonda, ele já se se tinha melhor.