20 de maio de 2022Informação, independência e credibilidade
Política

Wizard decide se calar na CPI e não responder nenhuma pergunta

Citando a Bíblia e dizendo participar de uma missão divina, bilionário exerceu de habeas corpus e ouviu calado todas as perguntas

O empresário Carlos Wizard Martins, apontado como integrante do “gabinete paralelo” de aconselhamento ao presidente Bolsonaro no enfrentamento à pandemia e já inserido na lista dos primeiros 14 investigados da CPI, compareceu à CPI da Pandemia. Mas disposto a não responder nenhuma pergunta.

O bilionário, que em sua abertura citou a bíblia e estar em uma missão divina, garantiu ter sido convidado pelo então ministro Pazuello, que estava à frente da Saúde, para ajudar na pandemia. Mas disse que não queria estar lá de forma oficial e nem receber. Logo depois, afirmou categoricamente não fazer parte de um gabinete paralelo.

Isso tudo para afirmar que durante toda sua participação, exercerá o direito de ficar calado.

Após o anúncio de que ficaria em silêncio, senadores disseram que, mesmo nesse caso, fariam todas as perguntas que estavam programadas. Por isso, a sessão prosseguiu.

Convocação

A convocação de Wizard foi solicitada por meio de requerimento apresentado pelo senador Alessandro Vieira (Cidadania-SE), que julga ser essencial “esclarecer os detalhes de um ‘ministério paralelo da saúde’, responsável pelo aconselhamento extraoficial do governo federal com relação às medidas de enfrentamento da pandemia, incluindo a sugestão de utilização de medicamentos sem eficácia comprovada e o apoio a teorias como a da imunidade de rebanho”.

Já foram aprovados, inclusive, requerimentos para quebra de sigilo bancário, telefônico, telemático e fiscal de Wizard.

À CPI, o ex-ministro da Saúde Eduardo Pazuello, também no rol dos investigados da comissão, afirmou que o empresário atuou informalmente como seu conselheiro por um mês. Wizard foi até indicado para uma secretaria do órgão, mas recusou o convite.

Quando ouvida pela comissão, em 1º de junho, a médica Nise Yamaguchi, também apontada como integrante do “assessoramento paralelo”, disse que ela e Wizard participaram da criação de “uma conselho consultivo independente”, sem vínculo oficial com o Ministério da Saúde.

O empresário Carlos Wizard inclusive foi às redes sociais com uma mensagem de apoio à médica Nise Yamaguchi: “Expresso o mais profundo respeito, admiração e carinho à dra. Nise Yamaguchi que lamentavelmente essa semana foi agredida por aqueles que deveriam respeitá-la e agradecer seu esforço incansável de salvar vidas”.

Ela foi interrompida por senadores e acusada de não ter conhecimento para discutir o tratamento da doença, o que levantou reações nas redes sociais. Para Wizard, Nise “agiu como Jesus Cristo agiria se estivesse em seu lugar”.