20 de outubro de 2021Informação, independência e credibilidade

Wagner Melo

Wagner Melo é jornalista profissional formado pela Universidade Federal de Alagoas (Ufal/2000) e pós-graduado em Comunicação Empresarial pelo Cesmac (2010). Possui experiência em assessoria de imprensa, redação publicitária e passagem em veículos como a Gazeta de Alagoas (onde foi revisor, repórter de Cidades e Política e, posteriormente, editor-adjunto de Cidades) e Folha de S. Paulo (colaboração em Alagoas). Também foi repórter na Secretaria Municipal de Comunicação (Secom) de Maceió e é coautor do livro “Maceió: Perspectivas e Desafios”.

Nem todos que conhecem a verdade querem se libertar

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“Conhecereis a verdade e a verdade vos libertará” - João 8:32. O versículo bíblico que Bolsonaro gosta de repetir feito papagaio, quando não está “cagando” nos nossos ouvidos, pode ser um medidor de caráter e se voltar contra o próprio bolsonarismo. Explico: se o bolsonarismo é a tal “verdade”, porque muitas lideranças e discípulos contrariam os princípios da seita, como aqueles que tomam vacina, por exemplo? É o tal do "faça o que eu digo, não faça o que eu faço". Até o guru dessa raça, o tal de Olavo de Carvalho, veio ao Brasil para tratar a saúde no Hospital da USP e, ainda, pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Carvalho é um dos papas do terraplanismo, mestre do conspiracionismo bolsonarista, idolatrado pelos celenterados da extrema-direita. É dele teorias como a de que a Peps

Eduardo Leite, o “amigo gay” para a direita chamar de seu

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Ao se assumir “um governador gay, e não um gay governador”, Eduardo Leite, do Rio Grande do Sul, dividiu opiniões. Os progressistas, simpáticos à causa da comunidade LGBTQIA+, chiaram, e com razão. Leite apoiou o candidato à presidência mais homofóbico da história do país, aquele que disse ser impossível amar um filho homossexual, que preferia ver um filho morto num acidente do que com um “bigodudo”. É o mesmo presidente queridinho do apresentador para quem gays são uma “raça desgraçada”, pedófilos e maconheiros. Com a assunção da sexualidade, especula-se que o governador gaúcho tenta ser o candidato da direita à presidência no próximo ano. A homossexualidade seria um elo com os, digamos, liberais. O caso Sikera Jr. Mostra que a homofobia e o ódio ainda ressoam em muitas cabeça

O cadáver de Lázaro deve ilustrar santinhos eleitorais em 2022

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O assassinato do bandido Lázaro pela polícia de Goiás nunca explicitou tanto quem ganha, politicamente, com a espetacularização da violência. Mal o corpo do serial killer esfriou, o exército de gente estúpida começou a espalhar memes em que políticos de esquerda choravam pela morte do assassino em série. Envolvida até o pescoço com a ação de milícias, com as quadrilhas neopentecostais, com a banda podre da polícia e até com corrupção na aquisição de vacinas, a extrema-direita é, moralmente, protegida pelos “cidadãos de bem”. Isso é preocupante. Quem está do lado do estado democrático de direito e apoia o funcionamento correto dos órgãos e instituições do Estado é associado à “defesa de bandidos”. E quem apoia os direitos humanos é tido como o próprio satanás. Lázaro era um crim

Câmara de Maceió aprova banho de sangue de Bolsonaro

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Na semana em que passamos do meio milhão de mortos por Covid-19 no Brasil e em que precisamos apertar cada vez mais os cuidados para frear a pandemia de Covid-19, o sádico do presidente pega um menino de uns quatro ou cinco anos no colo e puxa a máscara da criança para baixo, deixando-desprotegida no meio da boiada. Isso aconteceu no Rio Grande do Norte. E o que a Câmara de Maceió faz? Aprova, na surdina, e numa votação digna de filmes sobre mafiosos, o título de cidadão honorário para Bolsonaro. E com direito a ataque machista e ameaças contra a vereadora Teca Nelma que, apesar de ser do PSDB, teve uma postura heroica e honrosa na sessão ordinária virtual do parlamento-mirim. Dezessete vereadores de Maceió cuspiram nos caixões de mais de 500 mil brasileiros e debocharam das caras de
O justiçamento é a multiplicação dos crimes

O justiçamento é a multiplicação dos crimes

Blog, Wagner Melo
Um homem de 27 anos, identificado como Breno, foi sequestrado por quatro pessoas e torturado, em Campo Grande, no Mato Grosso. Ele recebeu pauladas na cabeça e foi jogado numa fazenda, seriamente ferido. O crime que ele cometeu para sofrer tamanha judiação? O rapaz, simplesmente, se parece com o Lázaro, o serial killer que se tornou a sensação do momento por sua habilidade em escapar da polícia. Ou seja, um inocente quase perdeu a vida nas mãos de “justiceiros”. Esse é o resultado da cultura do justiçamento: o assombroso risco de mortes de pessoas inocentes. Os justiceiros sociais não dão a ninguém a chance de se defender e, se for o caso, provar que não cometeu crime e se livrar de uma punição. Mesmo assim, caso tenha cometido o crime, deixe que o estado resolva, dentro do pr

Não há diferença entre gritar ‘Heil, Hitler’ e ‘Mito’

Blog, Wagner Melo
O caso do ex-secretário Ricardinho Santa Ritta, que confundiu com "liberdade de expressão" o ato do Incel que exibia a suástica em um shopping de Caruaru, é um daqueles males necessários. Digo necessário na medida em que a defesa de um regime atroz gera indignação na sociedade ao ponto de terminar com a sua exoneração do cargo de secretário de Turismo em uma capital considerada como um dos principais destinos do país. Isso devido à pressão popular, o que é um bom sinal. Ao mesmo tempo, me sinto confuso e explico o motivo. Assisti a um discurso de Hitler feito na década de 1930. Suas bases eram a defesa dos valores da família tradicional alemã, o ódio contra as minorias que representariam a destruição desses valores e o combate ao comunismo. Aliás, até os social-democratas (o equivalente

Ensino em casa, mais um retrocesso a ser evitado

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Ah, os conservadores... Sempre eles buscando o retrocesso, incansavelmente. A última é como Bolsonaro e sua trupe se apressam em implantar o homeschooling, o tal do "ensino em casa", no Brasil. Essa é uma das promessas dele para seus eleitores mais conservadores. Na semana passada, a deputada federal extremista Bia Kicis, um dos capachos do capitãozinho do Planalto, conseguiu a aprovação, na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), do Projeto de Lei (PL) nº 3262/19. A peça altera o Código Penal e libera de responsabilidade criminal pais que não matriculam os filhos na escola. Hoje, o crime de “abandono intelectual” (Artigo 246) prevê detenção de 15 a 30 dias ou multa para quem não mandam os filhos para o colégio. Se essa sandice for aprovada, está aberto o caminho para o ensin

Política, religião e futebol: precisamos discutir mais isso

Blog, Wagner Melo
No Brasil, política, religião e futebol se misturaram. E olha no que deu! Como um ditador, Bolsonaro meteu a mão nas consciências da população que lotam as igrejas, notadamente, as pentecostais e neopentecostais. E, agora, interfere na Seleção brasileira de futebol. Isso é o que dá não discutir essas três instituições, altamente presentes na vida nacional. Temos um povo alienado e dividido. Os oportunistas têm, em mãos, instrumentos políticos fortes. Futebol, política e religião se discutem, sim, na medida em que deixam a esfera pessoal e começam a tentar interferir na coletividade. No âmbito pessoal, todos merecem respeito e é por isso que devemos preservar a laicidade do Estado. A partir do momento em que chegamos ao ponto de termos uma bancada evangélica no Congresso e outra

Comandante da PM pernambucana cai. Já vai tarde!

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A queda do hoje ex-comandante da Polícia Militar de Pernambuco, Vanildo Maranhão, nos dá um sopro de esperança. Ele já vai tarde! No sábado, a PM pernambucana protagonizou cenas dignas de ditaduras de bananas ao dispersar um protesto pacífico de forma selvagem e condenável. Digo que é um sopro de esperança porque a sociedade reagiu ao ato de barbárie que terminou com duas pessoas carregando sequelas pelo resto da vida. A repercussão acabou com o pedido de exoneração do cidadão. Assume nesta quarta-feira, 2, o coronel José Roberto Santana, que ocupava o cargo de diretor de Planejamento Operacional da PMPE. Foi um bom começo mas, não é suficiente. Há procedimentos investigatórios instaurados pela Corregedoria-Geral da Secretaria de Defesa Social e pela Polícia Civil do estado viz

Cirominions, o voto impresso e a falta de apreço pela democracia

Blog, Wagner Melo
A esquerda tem um Bolsonaro para chamar de seu e ele atende pela alcunha de Ciro Gomes. Aliás, não me surpreenderia se o PDT o indicasse como candidato a vice na chapa do postulante à reeleição e o emplacasse. Digo isso porque Ciro endossou a fala do presidente do partido, Carlos Lupi, a uma das bandeiras bolsonaristas: o voto impresso. Dessa forma, eles põem em dúvida o sistema eleitoral brasileiro, cuja segurança é comprovada e, ao contrário do que pregam os bolso e cirominions, as urnas eletrônicas são, perfeitamente, auditáveis. https://twitter.com/cirogomes/status/1398262858417414150?s=20 Dispensa falar que o voto impresso seria um retrocesso sem tamanho, pois, fortalece o voto de cabresto, ao passar para o eleitor a sensação de que seu voto pode ser visto pelo coronel com