29 de julho de 2021Informação, independência e credibilidade
Brasil

Bolsonaro troca cloroquina pela proxalutamida e quer convencer Queiroga e você do novo tratamento

Após desobstruir o intestino, presidente voltou a falar e mentir sobre a Covid-19 e tem encontro hoje com o Ministro da Saúde para falar da “nova cura”

Uma semana depois de dizer que “cagou” para a CPI, o presidente Jair Bolsonaro foi internado em um hospital com obstrução intestinal. Agora, já de alta, o homem que ativamente desinforma ou grita fake news e não era capaz nem de defecar, mesmo que de forma irônica, vem com mais uma série de mentiras sobre a pandemia. E quer seu curral defendendo a proxalutamida.

Leia mais: Bolsonaro não recebe solidariedade após desejar morte de rivais e caçoar de vítimas da pandemia

Ao sair do Hospital Vila Nova Star, na zona sul de São Paulo, o presidente disse que não parou de trabalhar nenhuma vez. E que teve acesso a um estudo do CDC, Centro de Estudos de Doença dos Estados Unidos. E emendou essa:

“O que mais mata de covid, em primeiro lugar, é quem está com obesidade, em segundo lugar, quem está tomado pelo pavor ou pelo pânico. Lembra que eu falava lá atrás que tem que enfrentar, não tem jeito, quem está com pânico ou com pavor, a chance da Covid-19 de evoluir para uma piora gravíssima é muito grande”. Jair Bolsonaro.

Antes de tudo, é muito triste após toda o evidente estrago provocado nesta pandemia o presidente continuar mentindo. Claro, voltar atrás seria o recibo de que ele estava errado o tempo tudo. Gripezinha, menos de 800 mortes, não precisa de vacina, pois há a cloroquina. Uma mentira hedionda atrás a outra. E há quem tenha acreditado e ainda acredito.

Tendo dito isso, Bolsonaro quer dar a entender que o maior motivo dos óbitos por Covid-19 no Brasil, que já passam de 540 mil, tem como maiores culpados os obesos e os que tiveram medo – ou que foram levado ao medo pela “grande mídia”. Curiosamente, não houve cloroquina suficiente para salvar estas pessoas.

Bolsonaro, aliás, como não quem quer nada, tem agora mais uma invenção: seu novo remédio milagroso será a proxalutamida, que em breve entrará no jargão bolsonarista, podendo rivalizar ou até mesmo eliminar a cloroquina – que, estudos insistem, não funciona contra a Covid-19.

Queiroga, você e proxalutamida

O presidente pretende tratar hoje com Queiroga sobre o uso do medicamento proxalutamida. Ele defende a criação de estudos no país sobre o medicamento.

“Já tem uns 3 meses que isso não tá no mercado, é uma droga ainda sendo estudada, mas que alguns países já têm mostrado melhora. Isso existe no Brasil de forma não ainda comprovada cientificamente, de forma não legal, mas que tem curado gente”. Jair Bolsonaro.

Cometendo mais um crime de curandeirismo, aproveitou a desobstrução intestinal para encontrar nos dejetos a defesa de mais um remédio que não tem comprovação científica.

O medicamento é usado normalmente no tratamento de tumores que têm relação com a testosterona, como o câncer de próstata, e não contra um vírus. O que não seria novidade, pois a cloroquina age contra parasita e até pouco tempo esta era a grande solução na pandemia.

No Brasil, a proxalutamida vem sendo testada contra novo coronavírus pelo grupo hospitalar brasileiro Samel em parceria com a Applied Biology, empresa americana de biotecnologia especializada no desenvolvimento de medicamentos para doenças capilares.

Apesar de os primeiros resultados divulgados pelos realizadores indicarem efeito positivo no tratamento da covid-19, cientistas ponderam que o estudo ainda não foi publicado e revisado pelos pares. Também apontam que não é possível saber de que forma o medicamento é administrado, seja sozinho ou em combinação com outras drogas, por exemplo.

O medicamento ainda não é comercializado e não foi aprovado por nenhuma agência sanitária, como a Anvisa ou a americana FDA.