29 de julho de 2021Informação, independência e credibilidade
Brasil

Bolsonaro não recebe solidariedade após desejar morte de rivais e caçoar de vítimas da pandemia

Presidente não deveria se surpreender, pois ajudou a crescer na nação sentimentos de homofobia, xenofobia, racismo e de ataque contra quem pensa diferente

O presidente Jair Bolsonaro está internado. Com o intestino obstruído, o que teria provocado seus 12 dias de soluços, cancelou seus compromissos nesta quarta e foi para o Hospital das Forças Armadas.

De lá, partiu para São Paulo, onde fez avaliações sobre a necessidade de uma cirurgia. O senador Flavio Bolsonaro, seu filho 01, chegou a dizer que ele foi intubado em uma UTI.

E apesar de toda a gravidade da saúde do presidente da República, que aos 66 anos tem recorrentes cirurgias abdominais, aparentemente, há o mínimo de solidariedade por sua condição. Tirando o apoio de seu seguidores fieis, mesmo ainda internado, o presidente Jair Bolsonaro vem sendo alvo de piadas jocosas.

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O humorístico Sensacionalista toma a frente, dizendo que Bolsonaro surpreendeu por estar com “dificuldades de fazer merda” e que 1kg do que foi retirado de seu intestino será candidato a deputado. Nas redes sociais, os pedidos de oração são por piora. Quem não quer que ele morra, o faz para que ele viva para pagar pelos crimes.

Por que isso acontece com o presidente da nação? Por que a imensa maioria de seus opositores não estão pegando leve, ao menos neste momento, mesmo que em forma de empatia e humanidade para com a enfermidade de Bolsonaro?

Bem, todos deveriam saber: a resposta é o próprio Bolsonaro. Se dizendo Cristão, honesto e praticante do bem, Jair Bolsonaro não é nada disso.

Suas ações, falas e atitudes contradizem praticamente tudo o que Bíblia prega. A corrupção disseminada de seu governo, seja em ministérios, familiares ou qualquer tipo de entorno, não dá mais para esconder. E todo o ódio e indiferença que ele desejou nos últimos anos vem sendo usado como vindicação por quem, até então, apenas testemunhava a destruição das instituições e da Nação.

Fã do coronel Brilhante Ustra, um militar torturador do regime militar, Bolsonaro abertamente desejou um câncer e a morte de Dilma durante o período de impeachment dela.

Ele ajudou a crescer na nação sentimentos de homofobia, xenofobia, racismo e o desejo de atacar verbalmente ou fisicamente quem contrariava sua maneira de pensar.

Também antes de ser eleito, tinha como desejo de que se fosse presidente, um dia provocaria uma guerra civil, mesmo com a morte de 30 mil inocentes. E começaria isso fuzilando o então presidente FHC.

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Mais recente, na pandemia do Covid-19, falou atrocidades. Egoísta, tomou tudo para si: como foi assintomático e tinha “histórico de atleta”, achou que o novo coronavírus não seria problema nenhum. E que só velho e pessoas com comorbidades iriam morrer. Para ele, menos de 800 pessoas, pra ser mais exato.

Só que a cada marca simbólica, quando o Brasil registrava a morte de mil pessoas, 5 mil, 50 mil, 100 mil, 250 mil…. Seu discurso não mudava. Ele parecia incomodado com as mortes daqueles que estariam fazendo aquilo apenas para prejudicá-lo.

  • Brasileiro pula em esgoto e não acontece nada;
  • Eu não sou coveiro;
  • E daí, quer que eu faça o que?
  • A gente lamenta todos os mortos, mas é o destino de todo mundo;
  • É como uma chuva, vai atingir você;
  • País de maricas;
  • Caguei.

Não é de se estranhar, portanto, que mesmo diante de sua enfermidade, o presidente não receba um tratamento diferente do que ele mesmo faz. Querendo ou não, uma nação se espelha em seus líderes. Por isso foi disseminado o uso de medicamentos que não funcionam. Por isso a rivalidade política ganhou ares tóxicos, com rachas até mesmo entre familiares. Por causa dele.

Bolsonaro, portanto, não deveria estranhar, de quem teve que aturar seu ódio durante esta pandemia, o desejo que seu CPF só não seja “cancelado” para que ele arque com as consequências antes. Seus crimes precisam ser julgados. Seja os cometidos antes de assumir a presidência, durante ou após a pandemia e julgado na Câmara, STF ou em Haia. Portanto, que volte inteiro, pois ainda não acabou.