23 de junho de 2021Informação, independência e credibilidade
Justiça

De olho em vaga no STF, presidente do STJ autoriza retomada de obras do Museu da Bíblia

O alagoano Humberto Martins é o favorito para assumir lugar de Marco Aurélio Mello, com André Mendonça ainda disputando lugar como o “terrivelmente evangélico” de Bolsonaro

Brasília,17/06/2016. Ministro Humberto Martins, da Corte do Superior Tribunal de Justiça-STJ.
Foto : Sergio Amaral/STJ

Humberto Martins, atual presidente do STJ (Superior Tribunal de Justiça), é no momento o nome mais forte para ser a indicação do presidente Jair Bolsonaro para ocupar a vaga de Marco Aurélio Mello no STF, que deve se aposentar no mês de junho.

E para fazer um agrado ao seu presidente, que já prometeu um “ministro terrivelmente evangélico”, o adventista Martins decidiu nesta segunda-feira (26) autorizar a retomada da construção do Museu Nacional da Bíblia, em Brasília.

Martins tem voto de confiança do filho 01 do presidente, o senador Flávio Bolsonaro, que ainda poderia defender a indicação de André Mendonça, atual advogado-geral da União,. O critério, claro, vem sendo a evangelização.

As obras do Museu Nacional da Bíblia, por exemplo, foram contestadas em uma ação civil pública movida pela Atea (Associação Brasileira de Ateus e Agnósticos), que alegou que o museu fere o princípio da laicidade do Estado e expõe uma intervenção estatal em matéria religiosa.

Quando o caso chegou ao STJ, o ministro Martins disse que “fomentar a cultura configura dever estatal de suma importância para o desenvolvimento da sociedade concatenada com sua história, com seus costumes e sua identidade”.

Por fora

A indicação de André Mendonça para o STF (Supremo Tribunal Federal) passou a enfrentar maior resistência, em especial no Congresso Nacional.

Parlamentares da base de apoio de Jair Bolsonaro não veriam nele personalidade para resistir a pressões em caso de julgamentos impopulares na Corte, como os que envolvem personagens políticos.

Um dos focos de resistência é o grupo do presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira (PP-AL), segundo Mônica Bergamo, jornalista e colunista da UOL. Mas Mendonça vem tentando:

“Cristãos estão dispostos a morrer para garantir a liberdade de religião e culto”.

A frase acima foi dita pelo advogado-geral da União, André Mendonça, durante julgamento do STF, nesta quarta (7), que avalia se templos religiosos devem ficar abertos neste momento. E diante do argumento fatalista, digno dos piores momentos da Idade Média, já deve ser óbvio que a resposta é não.

Afirmando que “todo cristão sabe e reconhece os riscos e perigos dessa doença terrível e todo cristão sabe que precisa tomar cuidados e cautelas diante dessa enfermidade”, entrou em alta contradição ao citar a bíblia

“Pois onde se reunirem dois ou três em meu nome, ali eu estou no meio deles”. Mendonça, citando a Bíblia.

André Mendonça, rebaixado do ministério da Justiça para ser novamente o advogado-geral da União, mostrou no STF que segue sendo completamente subserviente ao seu lord, o presidente Jair Bolsonaro.