28 de junho de 2022Informação, independência e credibilidade
Mundo

Embaixador responde Bolsonaro sobre “vida insuportável” na França

Presidente eleito disse que imigrantes na França levaram violência, e foi respondido com fatos: 63.880 homicídios no Brasil em 2017, 825 na França

Durante uma transmissão ao vivo pelo Twitter, que se tornou sua plataforma oficial de Governo, assim como Donald Trump, o presidente eleito Jair Bolsonaro (PSL) criticou o Pacto Global para Migração das Nações Unidas. Ele então usou a França como exemplo do efeito negativo da migração.

“Todo mundo sabe o que está acontecendo com a França. Está simplesmente insuportável viver em alguns locais da França. E a tendência é aumentar a intolerância. Os que foram para lá, o povo francês acolheu da melhor maneira possível. Mas vocês sabem da história dessa gente, né?”. Jair Bolsonaro, presidente eleito.

O problema é que Jair não está mais mitando no Whatsapp e suas falas geram consequências. Depois de, no twitter, sua equipe ser respondida por noruegueses, sobre preservação ambiental, e venezuelanos, sobre a dureza do regime, os franceses também fizeram suas correções.

O embaixador francês nos EUA, Gérard Araud, foi sucinto em sua resposta: 63.880 homicídios no Brasil em 2017, 825 na França. Sem comentários”. Araud fez a ligação lógica com fatos e argumentos sobre não haver relação com imigrantes e aumento de violência no país. Os apoiadores do Mito brasileiros seguem com factóides e fake news.

Gérard Araud, de 65 anos, comanda a embaixada francesa em Washington desde 2014. Antes de assumir o posto, ele também chefiou a missão diplomática francesa em Israel entre 2003 e 2006 e foi representante do seu país nas Nações Unidas, em Nova York, entre 2009 e 2014.

Relações Exteriores

Bolsonaro continuou com sua verborragia de sempre, acusando os imigrantes de roubarem a cultura, direitos e privilégios dos naturais do país.

“Querem fazer valer sua cultura, os seus direitos e os seus privilégios e a França está sofrendo com isso e parte da população, parte das Forças Armadas, parte das instituições começam a reclamar no tocante a isso. Então nós não queremos sofrer com isso aqui no Brasil”. Jair Bolsonaro, presidente eleito.

Bolsonaro vem criticando reiteradamente o pacto das Nações Unidas, que foi assinado pelo governo Michel Temer. O presidente eleito e seu futuro ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo, já afirmaram que vão reverter a adesão do Brasil em 2019.

Autoridades da União Europeia já estão preocupados com a postura do futuro chanceler brasileiro. Seus textos acadêmicos, que passaram a circular pela comunidade diplomática em Bruxelas, já apontem uma problemática relação do novo governo brasileiro em relação aos europeus.

O novo ministro chega a dizer em um dos textos que a Europa significa hoje “apenas um conceito burocrático e um espaço culturalmente vazio regido por ‘valores’ abstratos”.

Trechos de seu texto chamaram a atenção nos corredores em Bruxelas, principalmente diante das críticas em relação à construção da UE. Nele, o futuro chanceler aponta que “a fundação da União Europeia anulou, pasteurizou todo o passado”.

“Os europeus de hoje podem até estudar sua história, mas não a vivem como um destino, muito menos a celebram, nem a entendem como ‘sua’, não veem nela um sentido nem um chamado”, escreveu.