15 de agosto de 2022Informação, independência e credibilidade
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Feminilidade criminalizada

O câncer da sociedade, ou seja, os conservadores, não cansam de levar infelicidade à vida alheia.

A última vítima é a atriz Klara Castanho, que optou por não abortar após engravidar de um estupro que sofreu e, logo após dar à luz, doar o bebê para adoção. Tudo isso à luz da lei.

A história veio à tona após um demônio vestido de branco que trabalhava no hospital (felizmente, demitida) tentar lucrar com o sofrimento de Klara e oferecer detalhes, que jamais deveriam ter sido vazados, a um fofoqueiro que se acha jornalista.

O coisa repassou a informação para uma dublê de atriz, a famosa viúva de um ex-diretor da Globo, que se acha infalível, acima do bem e do mal. A dama conservadora, pré-candidata a deputada federal com o manjado e falido discurso de defesa de criancinhas e da família tradicional, fez um inferno, achando que iria aumentar a dor da jovem atriz.

Felizmente, os ventos sopraram contra e as chamas tostaram a vidas da dupla perversa. O massacre da opinião pública veio, contratos foram perdidos, além de o fofoqueiro ter caído em desgraça no meio das subcelebridades, de onde ele tira a matéria-prima para alimentar sua mediocridade.

É aquela velha coisa, né? Conservadores odeiam mulheres. Mulheres conservadoras se odeiam também, né?

Porque, do lado do mal, não vi tanta indignação como estuprador. Mas, a vítima da violência, fragilizada, virou a Geni desta gente que quer punir mulheres pelo simples fato de envolver sexo, inclusive, quando são forçadas a isso, de maneira brutal.

É o caso de países que aplicam a merda da sharia, onde mulheres estupradas são condenadas à morte por apedrejamento, pois, para os machistas lá, estupro é considerado sexo fora do casamento.

Quando crianças engravidam, os conservadores querem que elas levem a gestação adiante e deem o fruto da violência para a adoção. Quando uma jovem, vítima de abuso, leva a gestação adiante e doa o bebê, também sofre maledicências.

Essa tropa não difere muito dos radicais islâmicos em pensamento. Para eles, o verdadeiro crime é ser mulher e ser livre para decidir sobre seu próprio corpo. Mulheres autônomas e decididas assustam e essa repressão tresloucada é uma forma de tentar perpetuar esse modelo e sociedade estúpido e perverso.