19 de agosto de 2022Informação, independência e credibilidade
Brasil

Maia: Bolsonaro “brinca de presidir”; PEC Anti-Mourão ganha adeptos

Mais cedo, Jair disse que Maia estaria abalado; movimento no Congresso já estuda proposta de eleições 90 dias após um provável impeachment presidencial

Em entrevista ao apresentador Datena, na TV Bandeirantes, o presidente Jair Bolsonaro (PSL) disse que o presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ), está “abalado” por questões pessoais Horas depois, Maia foi questionado sobre o comentário do presidente:

“Abalados estão os brasileiros, que estão esperando desde 1º de janeiro que o governo comece a funcionar. São 12 milhões de desempregados, 15 milhões de brasileiros vivendo abaixo da linha de pobreza, capacidade de investimento do Estado brasileiro diminuindo, 60 mil homicídios e o presidente brincando de presidir o Brasil. Eu acho que está na hora de a gente parar com esse tipo de brincadeira, está na hora de ele sentar na cadeira dele, do parlamento sentar aqui, e a gente em conjunto resolver os problemas do Brasil. Não dá mais para a gente perder tempo com coisas secundárias”. Rodrigo Maia (DEM-RJ), presidente da Câmara.

A relação dos dois desandou após discutirem publicamente sobre a articulação para aprovação da reforma. Bolsonaro tem dito que a responsabilidade é do Congresso, Maia afirma que o governo não pode “terceirizar” a articulação política.

E como o nível baixou, claro que questionaram o presidente Bolsonaro sobre a resposta de Rodrigo Maia, que falou que ele está brincando. Jair ficou surpreso e preferia não acreditar nas aspas:

“Olha, se foi isso mesmo que ele falou eu lamento. Não é palavra de uma pessoa que conduz uma casa. Muita responsabilidade. Brincar? Se alguém quiser que eu faça o que os presidentes anteriores fizeram, eu não vou fazer. A forma de governar é respeitando todo mundo e, acima de tudo, além de respeitar os colegas políticos e respeitar o povo brasileiro que me colocou lá”. Jair Bolsonaro.

Sai Mourão

Já prevendo uma piora na situação e evitando um novo Michel Temer, Henrique Fontana (PT-RS) e Paulo Teixeira(PT-SP), deputados federal, protocolaram nesta quarta-feira uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC) propondo eleições diretas em 90 dias em caso de afastamento definitivo do presidente da República, governadores e prefeitos.

A proposta foi apelidada na Casa de “Anti-Mourão “, em referência ao vice-presidente Antônio Hamilton Mourão. Os parlamentares petistas negam que tenham o atual vice como alvo, mas confirmam que há deputados do PSL entre os que assinaram a proposta. Eles fizeram o protocolo com 210 assinaturas.

Para a PEC tramitar são necessárias 171 assinaturas. Por temer um movimento de retirada de assinaturas, não quiseram divulgar a lista dos apoiamentos. Basta lembrar que a bombástica PEC do Orçamento, aprovada na noite desta terça (26), em uma imensa derrota do governo Bolsonaro, recebeu 453 votos.