18 de maio de 2022Informação, independência e credibilidade
Política

Por CPI da Educação, oposição busca assinatura de senadores do PSD, PSDB e MDB

Comissão estava com 27 assinaturas, mas três senadores recuaram e inquérito parlamentar hoje está na gaveta

A oposição ao governo Jair Bolsonaro (PL) no Senado, hoje e amanhã, inicia o tudo ou nada para tirar a CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) para apurar suspeitas de corrupção no MEC (Ministério da Educação) da gaveta.

Autor da iniciativa, o senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP) já havia inclusive reunido as 27 assinaturas necessárias, mas três senadores recuaram.

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Para completar as 27 assinaturas, que representam um terço do Senado, a oposição mira pelo menos cinco nomes do PSD, do PSDB e do MDB. O senador Marcelo Castro (MDB-PI), presidente da Comissão de Educação, de forma informal, já teria aceitado colocar sua assinatura.

Ou seja: a oposição vai mesmo ignorar os partidos do centrão, simpatizantes de Bolsoanro, e mirar nestes três que têm bancadas consideráveis e possuem, juntos, 31 senadores em exercício. O MDB está com 13 parlamentares na Casa, o PSD tem 11 e o PSDB, 7.

Pelo PSD, apenas o senador Omar Aziz (AM), que presidiu a CPI da Covid, assinou. O senador Otto Alencar (PSD-BA), que era membro titular da investigação sobre a pandemia, é um dos que a oposição tenta convencer a aderir à CPI do MEC. Até o momento, os signatários são:

  1. Randolfe Rodrigues (Rede-AP)
  2. Paulo Paim (PT-RS)
  3. Humberto Costa (PT-PE)
  4. Renan Calheiros (MDB-AL)
  5. Fabiano Contarato (PT-ES)
  6. Jorge Kajuru (Podemos-GO)
  7. Zenaide Maia (PROS-RN)
  8. Paulo Rocha (PT-PA)
  9. Omar Aziz (PSD-AM)
  10. Rogério Carvalho (PT-SE)
  11. Reguffe (União-DF)
  12. Leila Barros (PDT-DF)
  13. Jean Paul Prates (PT-RN)
  14. Jaques Wagner (PT-BA)
  15. Eliziane Gama (Cidadania-MA)
  16. Tasso Jereissati (PSDB-CE)
  17. Cid Gomes (PDT-CE)
  18. Alessandro Vieira (PSDB-SE)
  19. Dario Berger (MDB-SC)
  20. Simone Tebet (MDB-MS)
  21. Mara Gabrilli (PSDB-SP)
  22. Jader Barbalho (MDB-PA)
  23. Nilda Gondim (MDB-PB)
  24. Veneziano Vital do Rêgo (MDB-PB)
Arte: Cris Vector

Comissão

Marcelo Castrosó pretende assinar depois que a comissão de educação da Casa, presidida por ele, ouvir todos os convidados interessados em falar sobre as suspeitas no MEC e no FNDE (Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação).

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As audiências, porém, devem se estender até o fim do mês e podem chegar a maio, porque as atividades da comissão serão reduzidas nas próximas duas semanas devido aos feriados. Por essa razão, o grupo de Randolfe precisará de três nomes se quiser emplacar a abertura da CPI nos próximos dias.

Dos três senadores que retiraram as assinaturas, Oriovisto Guimarães (Podemos-PR) e Styvenson Valentim (Podemos-RN) disseram que a instalação desta CPI, em ano eleitoral, serviria de palanque político aos membros da comissão.

Já o terceiro, Weverton Rocha (PDT-AM), afirmou que desistiu depois de concluir que os trabalhos da CPI resultariam na “exposição de parte da comunidade evangélica que busca recursos para seus trabalhos”.

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Randolfe atribuiu as desistências a uma “força-tarefa” gerida pelo ministro-chefe da Casa Civil, Ciro Nogueira (PP-PI). O senador da Rede projeta chegar a 29 assinaturas, duas a mais que o quórum mínimo, até a próxima quarta-feira. Nogueira é, ele próprio, alvo de suspeitas ligadas ao FNDE.