29 de julho de 2021Informação, independência e credibilidade
Política

“Renan sabia de tudo”: Bolsonaristas desviam foco e culpam até Randolfe pela Covaxin

YouTuber baiano que mora na Austrália indica em “dossiê” que Renildo Calheiros, não o líder do governo Ricardo Barros, seria o autor da MP da compra fraudulenta

O depoimento dos irmão Miranda, na sexta (25), deixou claro o ato de corrupção na compra da vacina indiana Covaxin. Um, servidor de carreira concursado, responsável pela análise final de contratos do Ministério da Saúde. O outro, um deputado até então aliado, que se motivou a apontar dedos depois de acossado pelo mito que ama.

Mas nem mesmo com todos os indícios e provas que ligam o presidente Jair Bolsonaro e seu líder de governo na Câmara, Ricardo Barros, seria suficiente para a desinformação bolsonarista resistir.

E se na CPI os gritos de desespero de Fernando Bezerra (MDB-PE), a peitada de Marcos do Val (Podemos-ES) ou a busca por “narrativas” de Marcos Rogério (DEM-RO), todos senadores da tropa de cheque, não deram certo, os seguidores do presidente apelam agora para um YouTuber baiano que mora na Austrália.

Kim Paim entrou na arena e movimentou, neste final de semana, a hashtag #RenanSabiaDeTudo, que na manhã desta segunda apresentava mais de 120 mil menções no Twitter. Ou seja: como sempre, o baque das acusações foi sentido, mas os grupos do governo se alinharam após alguns dias e passaram a jogar culpa (em algo que eles antes diziam não ser criminoso, diga-se de passagem) nos adversários.

Aparentemente, “Renan sabia de Tudo” pois o irmão do relator Renan Calheiros (MDB-AL), o deputado federal Renildo Calheiros, foi um dos propositores da MP para compra de vacinas no exterior que ainda não tivessem sido aprovadas pela Anvisa. O detalhe: foi o líder do governo, o deputado federal Ricardo Barros, foi quem forçou a barra para a compra da Covaxin.

Para resumir: bolsonaristas abraçaram a ideia de que houve sim corrupção na compra da vacina indiana, mais cara do que a da Pfizer, que levou o tempo de um parto para o governo responder numa negociação.

E não basta o presidente Jair Bolsonaro prevaricar e saber que seu líder de governo estava superfaturando numa compra, com envio de dinheiro para um paraíso fiscal. A culpa é dos outros.

Como sempre, a ginástica mental foi suficiente para chamar a atenção de bolsonaristas. Tanto que Randolfe Rodrigues, vice-presidente da CPI da Pandemia, precisou levantar o óbvio: o líder do governo forçou pela Covaxin, a compra foi superfaturada e criaram justamente aquilo o que Marcos Rogério adora: uma “narrativa”.

Enquanto isso, seis dias após atingir a marca de 500 mil mortes de covid-19 no Brasil, o país ultrapassou hoje 510 mil óbitos em decorrência do coronavírus, chegando a um total de 511.272.