23 de setembro de 2021Informação, independência e credibilidade
Política

Termo “Bolsonaro Corno”, que volta a viralizar, já constava em relatório do Exército de 33 anos atrás

Além disso, relatório considerou o então Capitão Bolsonaro um mentiroso, muambeiro, contrabandista, “eleitor de Collor” e responsável por planejar atentado terrorista

Segundo denúncia do site Metrópoles, que ouviu o ex-funcionário Marcelo Luiz Nogueira dos Santos, o ex-empregado que denunciou à coluna uma série de supostos crimes cometidos pela família Bolsonaro, o casamento do hoje presidente acabou porque sua esposa o traía com seu segurança, o bombeiro militar Luiz Cláudio Teixeira, que fazia a escolta do clã no Rio de Janeiro.

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Ana Cristina, até então, fazia a coleta do dinheiro de rachadinha da família. Mas foi ali que teria se rompido a confiança de Bolsonaro em Ana Cristina. E o presidente, então, teria autorizado que os filhos passassem a tocar eles mesmos o recolhimento dos valores desviados de salários de seus assessores parlamentares.

Por este motivo, invariavelmente, está nos trending topics do Twitter o #BolsonaroCorno, mas esta não é necessariamente uma novidade para Jair. Na verdade, há mais de 33 anos, até mesmo o Exército brasileiro em relatório considerava isso dele.

Corno, muambeiro e contrabandista

Mentiroso, corno, muambeiro e contrabandista. Além de “eleitor de Collor”. Estas foram as impressões de um relatório secreto, do Ministério do Exército, datado de 27 de julho de 1990, sobre o hoje presidente Jair Bolsonaro.

O documento inicia com uma linha do tempo, relatando a punição que o capitão Bolsonaro recebera em 1986, depois de ter assinado um artigo na revista Veja em que ele pedia aumento de salário para sua categoria.

O assunto torna-se mais grave, quando é mencionada outra matéria, também da Revista Veja, dessa vez assinada pela repórter Cassia Maria, que ouviu dele uma operação chamada “Beco Sem Saída”.

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Nesta, ele havia planejado explodir bombas no quartel. Além de ter mentido sobre a conversa com a jornalista, ele também foi acusado de ameaçar Cassia antes do depoimento.

A matéria completa, sobre a operação ‘Beco sem Saída’, pode ser conferida clicando aqui

Acusado de orquestrar ataque terrorista e vazar informações internas à revista Veja, Bolsonaro foi absolvido em segunda instância, mas convidado a se “aposentar” das Forças Armadas.

Isso apesar de relatório da Polícia Federal atestar que, de fato, a letra do “croqui” que embasou o plano de ataque era do capitão. E como pode ser visto, o relatório é bem detalhado:

Segundo o relatório, Bolsonaro mentiu ao dizer que não falou com a repórter
O tom parte para o ataque e fala das viagens dele para o Paraguai, trazendo muamba, e de problemas no casamento, dizendo que “não passa de um mercenário, corno e contrabandista querendo aparecer”
O relatório não deixa de pegar pesado, dizendo que ele precisa “averiguar os passeios de sua então esposa, Rogéria, atingindo até mesmo a honra dela e da esposa do “Major Moraes”

Caso queira conferir o arquivo, ele esta no SIAN (Sistema de Informação do Arquivo Nacional) Ou então, basta clicar aqui para conferir o PDF do Gabinete Civil, de 27 de julho de 1990.