24 de junho de 2021Informação, independência e credibilidade
Brasil

Bolsonaro indica cloroquina e até chá indígena que “cura covid” em live

Declarações acontecem um dia após YouTube deletar vídeos em que o presidente mentia ou desinformava sobre a pandemia

Transmissão online teve péssimo sinal e baixa qualidade por problemas de conexão

Em mais uma live semanal, o presidente Jair Bolsonaro indicou substâncias sem comprovação científica de eficácia contra a covid-19. E numa transmissão com péssimo sinal, no cidade de Maturacá (AM), ele chegou ao ponto de afirmar que o que recomendou, serve como “cura para a covid”.

Vale lembrar, nada disso é verdade. O presidente mente ou está completamente desinformado. E isso acontece depois do YouTube fazer uma limpa em seu canal oficial, deletando vídeos com falas do presidente. Em sua maioria, as que ele promove cloroquina contra covid-19.

E nesta quinta (27), além de dar uma omitidas nos índices de desemprego apresentados pelo IBGE (afinal mentir em só um tema não seria normal para ele, que disse mais uma vez que “Amazônia não pega fogo, floresta úmida não pega fogo”), o presidente além de cloroquina, defendeu um chá indígena para curar os efeitos do novo coronavírus.

“Foram três momentos com os índios balaios, ianomâmis, eles falaram que tomavam chá disso daqui, saracura, carapanaúba e jambu, e ficaram livres da covid. Então, pessoal, tem cura pra covid? Tem, pô”. Jair Bolsonaro, presidente.

Mas “não tem, pô”. Nenhuma substância tem eficácia comprovada para prevenção ou tratamento precoce da covid-19. Existe para controle de sintomas, como a febre, e em casos mais graves corticoide. Chá que cura, “não, pô”.

Cloroquina

Não teve ema, mas teve cloroquina: o presidente foi mais uma vez de encontro contra todas as evidências de que o medicamento que age contra malária não possui eficácia para a Covid-19. A OMS, inclusive, contraindica para o novo coronavírus. A maioria dos fabricantes brasileiros de coronavírus também não. Bolsonaro não se importa:

“Aquilo que eu tomei para covid não mata. Eu tive um sintoma igualzinho ao que eu tive da primeira vez que eu fui infectado. O que eu fiz? Tomei aquilo (cloroquina). E ponto final. E depois fui fazer o exame. Não deu nada. O que eu tomei, pessoal toma aqui direto na Amazônia, sem receita médica, toma para combater a malária”. Jair Bolsonaro.

Mentiras sobre compra de vacinas

Como vem sendo comprovado por testemunhos e documentos na CPI da Pandemia, o presidente Jair Bolsonaro dificultou (ou mesmo ignorou) a compra de vacinas, que chegaram tardiamente no Brasil.

“Obviamente, a gente não poderia comprar uma vacina sem passar pela Anvisa e sem um contrato razoável. Em 10 de março (de 2021), eu sancionei um projeto de lei, e a partir daquele momento nós pudemos comprar efetivamente a Pfizer, que tinha então uma lei para isso”. Jair Bolsonaro.

O problema é que não é verdade que o governo só pode comprar vacinas após aprovação pela Anvisa. Em junho de 2020, o Ministério da Saúde fez um acordo para produzir a vacina de Oxford, segundo consta no site do governo, e a eficácia do imunizante só foi confirmada em dezembro e sua aprovação pela Anvisa para uso emergencial ocorreu em janeiro de 2021.

Em março deste ano, o então ministro da Saúde Eduardo Pazuello anunciou a compra de 68 milhões de doses de vacinas sem aprovação da Anvisa: Covaxin, Sputnik V e Janssen. Das três, apenas a Janssen já teve o uso emergencial aprovado após o anúncio de Pazuello.

E se fosse verdade mesmo que houvesse um entravo, o presidente sempre poderia tirar mais uma MP do bolso. Bolsonaro vive fazendo MP, algumas delas até inconstitucionais, que fizesse uma para comprar vacina.

Ou seja: os mais de 9 meses que o presidente ignorou a negociação com a Pfizer, ou mesmo a disputa política com Dória que impediu o Brasil ser o primeiro país do mundo a se vacinar contra covid-19, afetaram e muito os números da pandemia.

Hoje, o país já acumula 456.753 óbitos pela doença desde o início da pandemia.