28 de novembro de 2021Informação, independência e credibilidade
Brasil

Diretor do Butantan diz na CPI que Brasil poderia ter sido o primeiro do mundo a iniciar vacinação

Dimas Covas culpa percalços, tanto do ponto de vista do contrato quanto do uso regulatório, para impedir o feito

O diretor do Instituto Butantan, Dimas Covas, afirmou que o Brasil “poderia ter sido o primeiro país a começar a vacinação” contra a covid-19.

“Muitas vezes declarei de público que o Brasil poderia ser o primeiro país do mundo a começar a vacinação, não fosse os percalços que nós tivemos que enfrentar nesse período, tanto do ponto de vista do contrato quanto do uso regulatório. Quer dizer a Anvisa aprovou o uso em dezembro… Poderíamos ter começado antes se tivesse tido uma agilidade de todos esses atores”. Dimas Covas.

Dimas afirmou que em dezembro de 2020, o instituto tinha 5,5 milhões de doses estocadas e 4 milhões em processamento.

“Ou seja, quase 10 milhões de doses prontas em dezembro do ano passado sem contrato com o Ministério. O mundo começou a vacinação no dia 8 de dezembro. No final de dezembro o mundo tinha aplicado um pouco mais de 4 milhões de doses e nós tínhamos mais de 4 milhões no Butantan”. Dimas Covas.

Segundo Covas, no final do ano, quando o Butantan fez um contrato com o ministério da Saúde, uma cláusula pedindo exclusividade com a Sinovac dificultou a negociação inicial, já que o instituto havia firmado parceria com a Sinovac para distribuir a vacina na América Latina.

Depoimento

Em sua apresentação inicial, ele afirmou que houve um oferecimento de 60 milhões de doses da CoronaVac ao governo federal ainda em julho de 2020, mas o instituto não recebeu uma resposta efetiva. Segundo o pesquisador, em outubro de 2020, foi feita uma nova oferta de 100 milhões de doses.

Em depoimento, ele disse que foi frustrante ouvir as declarações do presidente Jair Bolsonaro sobre a CoronaVac e o consequente atraso nas negociações da aquisição do imunizante em outubro de 2020. Dimas Covas disse ainda que não houve nenhum apoio financeiro do governo federal no desenvolvimento da vacina.