17 de julho de 2024Informação, independência e credibilidade
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Elite alagoana sempre garante pais e filhos no doce leito do poder

Quando fala de mudança é por absoluto interesse próprio contrariado

A elite alagoana reclama da política e dos políticos, mas é totalmente parte dela. Na hora do voto deixa bem claro isso e não é de agora.

Não deve ser diferente no resto do País, mas, sobretudo aqui, a política é um negócio de família.

Tradicionalmente, pais e filhos se sucedem nos mandatos eletivos, quando não atuam juntos em busca de mandatos simultâneos.

Ou seja, um disputa uma vaga na Assembleia Legislativa, outro na Câmara Federal, Senado, Prefeitura, governo do Estado e por aí vai.

Nunca foi diferente e, historicamente, criaram redutos eleitorais que funcionam como capitanias hereditárias.

Lá atrás, Arnon de Mello e família controlavam a política alagoana. Hoje o filho Fernando Collor, ex-Presidente da República, mantém seu espólio eleitoral como senador atual, candidato a governador e tenta eleger o filho deputado federal.

Também anos atrás, Rui Palmeira, pai de Guilherme Palmeira, foi  senador, encaminhou o filho Guilherme para a Assembleia Legislativa, Câmara Federal,  governo do Estado e Senado. Hoje, tem o neto, Rui, que é prefeito de Maceió e já foi deputado estadual e federal. Como teve outro filho, Miguel Palmeira, como deputado estadual.

Os Calheiros surgiram em Murici com o patriarca, Major Olavo Calheiros, que foi prefeito de lá. Inspirou, portanto, Renan Calheiros no movimento estudantil, na Assembleia Legislativa, na Câmara Federal e no Senado da República. Renan inspirou o irmão, Olavo Calheiros e juntos contribuíram com o crescimento político de Renildo Calheiros, na política pernambucana. Agora lideram a política alagoana, com Renan Filho no governo do Estado, candidato fortíssimo à reeleição.

Nada diferente da família do senador Benedito de Lira. Ele foi vereador, deputado estadual, federal e hoje tenta a reeleição para o Senado. Fez o filho Arthur Lira vereador, deputado estadual e federal, também candidato a reeleição.

Lira também é parente dos Pereira, família tradicional de Junqueiro que controla a política dos municípios do entorno e têm como líderes Joãozinho Pereira e a deputada estadual Jó Pereira.

Tem mais: a família Beltrão manda em quase todo litoral sul, a partir da ascensão do deputado João Beltrão ao poder. Em seguida vieram o irmão Joaquim, prefeito de Coruripe e deputado federal, os filhos e sobrinhos prefeitos em várias cidades do interior, até a estrela maior da família, hoje, o deputado federal e ex-ministro do Turismo do governo Temer, Marx Beltrão.

Qualquer eleitor mais atento que faz um passeio na Assembleia Legislativa logo percebe que pais e filhos lá estão há décadas. A família Hollanda  é carimbada na política. Elege os seus a cada eleição.

Mas não acabou. O deputado estadual Antônio  Albuquerque  tem seu filho Nivaldo, deputado federal. A família domina politicamente há décadas Limoeiro de Anadia. Não é diferente do deputado federal, Givaldo Carimbão, que elegeu o filho Carimbinho deputado estadual. Todos correndo agora para a reeleição.

Os Bulhões no sertão, a partir Geraldo Bulhões, governador e deputado federal, Isnaldo Bulhões, pai e filho, na Assembleia Legislativa, seguem mantendo a tradição.

Há muitos outros. Gente que  está no parlamento e sequer faz um discurso, mas quando chega a eleição é sempre o primeiro da fila, entre os eleitos.

E quando o assunto é Prefeitura do interior as famílias se revezam. As lideranças são as mesmas. Lideranças muitas vezes forjadas na violência.

É assim. A elite de hoje fala de corrupção, diz que não tem nada com isso, que o pobre vende o voto, mas sustenta e legitima o espólio eleitoral de todos eles. Quando fala de mudança é por absoluto interesse próprio contrariado.

Quer dizer, na verdade, sempre garante pais e filhos no doce leito do poder.