26 de junho de 2022Informação, independência e credibilidade
Mundo

Após atentado, Nova Zelândia quer proibir venda de armas do tipo militar

Medida visa reduzir violência no país

Se no Brasil parte dos políticos enaltecem a necessidade de posse (e porte) de armas após casos de agressão ou tragédias como o tiroteio na escola de Suzano, após o duplo ataque a mesquitas na Nova Zelândia, a primeira-ministra Jacinda Ardern anunciou que armas semi-automáticas e automáticas de estilo militar não serão mais vendidas no país.

O ataque provocou 50 mortos e muitos feridos e Ardern reage com uma lei que deve entrar em vigor em 11 de abril. O governo estuda propostas para incentivar donos de armas deste tipo a entregá-las às autoridades.

“Toda arma semi-automática usada no ataque terrorista na sexta-feira será proibida”. Jacinda Ardern, primeira-ministra da Nova Zelândia.

No último dia 15, pela manhã, fiéis muçulmanos estavam reunidos em mesquitas quando atiradores entraram, utilizando armas semi-automáticas e automáticas de estilo militar. Quatro homens foram presos e um deles é considerado o principal responsável pela violência.

A proibição será aplicada a todos os semi-automáticos estilo militar (MSSA) e rifles de assalto, juntamente com peças usadas para converter armas em MSSAs e todas as revistas de alta capacidade.

Brasil

A tragédia de Suzano refletiu entre os políticos e um assunto inevitavelmente veio à tona: a liberação de porte de armas no país.

“Para você enfrentar uns demônios armados desses só mesmo com instrumentos semelhantes. Se a legislação no Brasil permitisse o porte de armas, um cidadão de bem na escola, seja um professor ou um servente, evitaria a tragédia, impedindo que prosseguissem a marcha da morte deles”. Major Olímpio, senador (PSL-SP).

“Meus sentimentos a todos os familiares das vítimas covardemente assassinadas no colégio em Suzano. Mais uma tragédia protagonizada por menor de idade e que atesta o fracasso do malfadado estatuto do desarmamento, ainda em vigor”. Flávio Bolsonaro, senador (PSL-RJ).

“Eu não vejo essa questão. Vai dizer que a arma que eles estavam usando era legal? Não tem nada a ver”. Hamilton Mourão, vice-presidente.

Desarmamento

O presidente Jair Bolsonaro (PSL) assinou, em Brasília, um decreto que flexibiliza a posse de armas no país. Mas o ministro da Casa Civil, Onyx Lorenzoni, parece não estar preocupado com o aumento de armamento nos domicílios brasileiros. Nem mesmo o risco para as crianças.

“A gente vê criança pequena botar o dedo dentro do liquidificador e ligar o liquidificador e perder o dedinho. Então, nós vamos proibir os liquidificadores? Não. É uma questão de educação, é uma questão de orientação. No caso da arma, é a mesma coisa. Então, a gente colocou a exigência de cofre para mais uma vez alertar e proteger as crianças e os adolescentes”. Onyx Lorenzoni, ministro da Casa Civil, homem forte do governo Bolsonaro.

Segundo Lorenzoni, é preciso “cuidado redobrado” com arma. Ele afirma ter criado quatro filhos com uma arma dentro de casa e todas foram ensinadas a não brincar com a mesma. Entretanto, ele não falou em cuidado redobrado com utensílios domésticos.

O ministro defendeu ainda o direito do cidadão circular com a arma de fogo na área rural, já que é possível se deparar “com cobras, onças e bandidos”.