20 de outubro de 2021Informação, independência e credibilidade
Brasil

Criacionismo é defendido pelo novo presidente do Capes como ‘contraponto à teoria da evolução’

Nomeação reforça relação do MEC com o setor privado de ensino superior e também faz aceno a lideranças evangélicas

O novo presidente da Capes (Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior), órgão ligado ao Ministério da Educação, defende a abordagem educacional do criacionismo em “contraponto à teoria da evolução”.

Evangélico, Benedito Guimarães Aguiar Neto era reitor da Universidade Presbiteriana Mackenzie desde 2011 e foi nomeado nesta sexta-feira (24) para compor o governo Jair Bolsonaro.

No ano passado, Aguiar Neto anunciou que o Mackenzie, de São Paulo, ampliaria os estudos do chamado design inteligente, uma roupagem contemporânea do criacionismo, que advoga uma natureza teológica da origem do universo.

Design Inteligente

O termo design inteligente tem sido usado exatamente nas discussões que advogam a abordagem do tema na educação. Para seus defensores, a teoria darwinista seria insuficiente para explicar a origem da vida.

Há um consenso científico de que design inteligente ou criacionismo não são ciência. Em 2014, o governo do Reino Unido proibiu o ensino do criacionismo, ou design inteligente, como teoria científica em escolas e universidades públicas.

Em outubro passado, o Mackenzie realizou um congresso sobre design inteligente. Na ocasião, Aguiar Neto disse ao site da universidade que quer disseminar esse entendimento na educação básica:

“Queremos colocar um contraponto à teoria da evolução e disseminar que a ideia da existência de um design inteligente pode estar presente a partir da educação básica, de uma maneira que podemos, com argumentos científicos, discutir o criacionismo”. Aguiar Neto, novo presidente do Capes.

Responsável pela pós-graduação no país, o órgão é ligado ao MEC (Ministério da Educação). A Capes também financia pesquisadores e, no passado, teve 8% das bolsas cortadas. Sua nomeação, publicada nesta sexta-feira (24) no Diário Oficial da União, reforça a relação do MEC com o setor privado de ensino superior e também faz um aceno a lideranças evangélicas.