29 de maio de 2022Informação, independência e credibilidade
Brasil

Desrespeito: idosos com mais de 60 anos gastam 40% da renda com plano de saúde

O plano de saúde para idosos está pela hora da morte e um novo reajuste já está prestes a ser anunciado

Plano de saúde para idosos estão impagáveis e vai piorar

Os planos de saúde para a população idosa estão mesmo pela hora da morte. Os valores mensais estão insuportáveis para a maioria dos usuários e já há quem gaste até 70% do salário para manter o plano.

Um estudo recente aponta que planos de saúde fazem com que um percentual significativo dos idosos assuma faturas salgadas. Ou seja, um gasto que os obriga a abrir mão de outras despesas essenciais, como habitação, alimentação e lazer.

O estudo foi realizado pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), em parceria com  o IBGE, Fiocruz e ANS, coordenado pelo pesquisador Roberto Moraes. No levantamento a constatação real de que os gastos com planos de saúde crescem mais do que o aumento da renda da população.

O levantamento mostrou que, do total de pessoas que paga por planos de saúde no Brasil, idosos com 60 anos ou mais representam 38,4% da parcela que gasta mais de 40% da renda com os convênios.

Gastos superiores a 40% são observados em 5,6 milhões de pessoas com 59 anos ou mais e que pagam planos de saúde. A análise foi feita a partir de dados da Pesquisa de Orçamentos Familiares (POF), do IBGE, entre as faixas etárias de 19 e 79 anos ou mais.

“Isso é um dos fatores que levam as pessoas a um comprometimento tão alto da renda. Existem regras que limitam quanto a mensalidade de pessoas mais velhas pode ser mais alta que a de pessoas com faixas menores de idade. Mas a capacidade financeira dos usuários não cresce tanto ao longo da vida quanto o preço dos convênios, que pode ser até seis vezes maior, a depender da idade”, explica.

E vem mais reajuste aí

Segundo projeções da Associação Brasileira de Planos de Saúde (Abramge), os reajustes para este ano devem ficar entre 15% e 18,2%, superando o recorde de 13,57% registrado em 2016. No ano passado, os planos individuais tiveram um desconto de 8,19%, devido à redução da demanda de uso dos serviços médicos oferecidos em 2020.

Ricardo Moraes avalia esse cenário como complexo. “Você pode ter uma pessoa sendo expulsa do sistema privado por incapacidade de pagamento e essa pessoa vai para o SUS, que não está conseguindo crescer, devido ao teto de gastos. A situação fica complicada para a pessoa que, possivelmente, passou a vida inteira gastando com saúde e para o sistema de saúde como um todo. A saúde pública acaba sobrecarregada e a privada perde os clientes”, explica. (Com Metropoles)