16 de abril de 2021Informação, independência e credibilidade
Brasil

Em dia com 4.211 mortos, Bolsonaro diz que isolamento faz o brasileiro engordar

‘Duvido que quem ficou em casa não ganhou peso’, ponderou o presidente que não comprou vacinas na hora certa e provocou alta nos preços de gás e alimentos, sem fornecer auxílio emergencial decente

Foto: Evaristo SA/AFP

A cada marca histórica no número de vítimas da covid-19 no Brasil, uma patada desconcertante de Jair Bolsonaro. O presidente brasileiro, que já disse ser um “Messias, mas que não faz milagres” contra a ‘histeria’ da ‘gripezinha’, mas negava ser ‘coveiro’ e se vangloriava do aumento de suicídios como ele havia apontado, soltou mais uma nesta terça:

“Mas quando você prende o cara em casa, o que ele faz em casa? Duvido que ele não aumentou um pouquinho de peso. Duvido. Até eu cresci um pouquinho a barriga”. Jair Bolsonaro, presidente.

Antes da explanação: sendo este que vos escreve alguém que precisou restringir a alimentação pela alta dos preços e, principalmente, por ter perdido parentes pela covid-19, vá à meda, presidente.

E agora explanando: o presidente já pode se gabar de ter um leque de citações que dariam inveja ao “que comam brioche”, atribuído à Maria Antonieta, condenada por traição e guilhotinada na França.

Antonieta e o monarca absolutista Luis XVI que foram decapitados durante a revolução francesa, em 1793, motivada pelo descaso dos poderoso em relação às necessidades básicas da população, que passava fome enquanto a família real dava festas e comiam do bom e do melhor às custas do povo.

Enquanto, isso, em um Brasil com militares comendo leite condensado de marca para dar mais energia, além de suas festas regadas à churrasco, cerveja e ‘boneco do Rambo’, a fase mais crítica da 2ª onda da pandemia vem piorando.

O país já passa de 337 mil mortos (o presidente jurava que seriam menos de 900), tem dificuldades em vacinar a população (em 2020 fechou a porta para laboratórios achando que não haveria demanda) e com a alta do dólar, encareceu produtos básicos, como o gás de cozinha e alimentos, como feijão e arroz.

E se esquivando como pode, o presidente rejeita que a responsabilidade seja sua. Conseguiu empurrar para seu gado e outros mais ignorantes de que a culpa é do distanciamento social e dos prefeitos e governadores malvados, que fecham o comércio e matam o povo de fome.

Aparentemente, há ao menos uma pessoa responsável por matar o povo de fome (e de outras formas).

É o mesmo que não comprou vacinas quando devia e agora corre contra o tempo perdido, o mesmo que sabotou medidas simples como uso de máscaras, álcool gel e distanciamento, o mesmo que prejudicou a economia e o mesmo que não fornece nesse momento um auxílio decente (R$ 150?!) para o povo.

Coitado do presidente, que não fez distanciamento e anda de jet-ski engordou um pouquinho. Socializa um pouco esse cartão. Ele não é seu. É nosso. Assim como o dinheiro que banca suas férias e seu salário. Seja um pouco mais humano. Pare de fazer merda. Acorde para realidade e um jeito nessa sangria. Mas não: segue no mesmo rumo com seus seguidores.

“O pessoal entrou naquela pilha de homofóbico, racista, fascista, torturador… agora… Agora é o quê? Agora eu sou… que mata muita gente, como é que é o nome? Genocida. Agora eu sou genocida. Do que que eu não sou culpado aqui no Brasil”? Jair Bolsonaro, presidente.