20 de abril de 2021Informação, independência e credibilidade
Política

Agora de máscara e defendendo vacinas, Bolsonaro sentiu discurso de Lula

Atacado por sua imbecilidade, ingerência como presidente e até seu terraplanismo, presidente muda de discurso tarde demais para 270 mil pessoas

Como apontado pelo Jornal Nacional ontem (10), após mais de 36 aparições públicas (desde a abertura do Congresso neste ano), o presidente Jair Bolsonaro, assim como toda sua equipe, esteve mascarado.

O item de proteção, que por motivos torpes tanto ataca, a ponto de dizer que é ‘coisa de viado’, esteve lá em seu rosto. E nos dos ministros, assessores e em todos os presentes na sanção de lei em que ele viabilizou compras de vacinas.

Com máscara no rosto, Bolsonaro não “ficou viado”. E o equipamento de proteção não provocou, como havia dito há duas semanas, irritabilidade, dor de cabeça ou dificuldade de concentração. Isso tudo é por conta dele. Ou de Lula.

Independente do espectro político ou não, qualquer indivíduo capaz de amarrar um cadarço e respirar ao mesmo tempo seria capaz de apontar toda a obviedade de erros do presidente Bolsonaro durante sua presidência, especialmente durante a pandemia.

E foi o que Lula em seu primeiro discurso fez depois do ministro do STF, Edson Fachin, em decisão monocrática, anular as condenações do presidente na Lava Jato de Curitiba. O ex-presidente agora terá que ser julgado em Brasília, mas neste meio tempo, está elegível novamente.

Difícil escapar do humor raso, mas um governo raso pede isso: foi como se Tino Marcos, repórter de campo, estivesse próximo vendo algo que chamou sua atenção e Galvão Bueno, em sua cabine de transmissão, ainda não tinha visto. “Galvão?”. “Fala Tino”. “Sentiu”.

Quando o novo coronavírus chegou ao Brasil, Bolsonaro havia prometido em um evento religioso que não mais do que 800 pessoas morreriam por causa da Covid-19, assim como acontecera anos antes com a H1N1.

O grande detalhe é que, naquele tempo, durante a gestão Lula com uma campanha de vacinação que incluiu o Zé Gotinha, mascote criado em 1986 e portanto mais velho que a carreira política de Bolsonaro, mais de 80 milhões de brasileiros foram vacinados. Em três meses.

Hoje, apesar da demanda, não há vacinas suficientes para os brasileiros, que aguardam às minguas durante uma pálida campanha de vacinação, enquanto agora mais de 2 mil pessoas morrendo todos os dias.

O Brasil, inclusive, se tornou o “celeiro do mundo”. Não o do argumento de outrora, que defendia a força da agricultura, mas sim um celeiro de cepas de coronavírus.

Por causa de um governo que deixou o contágio correr livremente nas cidades, o vírus sofreu novas mutações, tornando-se mais contagioso, letal e uma maior ameaça ao mundo. E enquanto o resto do mundo se recupera, assumimos a liderança mundial em contágio e mortes nas últimas 24 horas.

Mas como isso não iria acontecer? Óbvio que haveria demanda de vacinas contra um vírus – mais contagioso e letal do que o H1N1. Óbvio que passar um ano inteiro criando factoides gerariam incertezas sobre a validade dos argumentos da OMS.

Óbvio que perderíamos tempo falando de conspirações sobre a China, se abraçando às políticas insanas e isolacionistas de Donald Trump e, em uma tentativa burra de tocar a vida para salvar a Economia mandando a Saúde se danar, não salvaríamos nem uma coisa nem outra.

O mundo ainda não se recuperou. Ainda há um longo caminho e a única saída é a vacinação. A mesma que Bolsonaro, de maneira irresponsável, até as primeiras horas desta quarta-feira tanto atacava.

Bastou seu rival político falar o óbvio e ameaçar a coisa mais importante para ele do que a vida (a reeleição), que ele e seu grupinho de ódio resolveream falar do óbvio: ‘Nossa arma é a vacina’.

Não importa o quão descarada e safada seja a mentira contada pelos bolsonaristas…

Claro, apesar do tom mais moderado, Bolsonaro não se conteve ontem e insistiu na defesa do chamado “tratamento precoce”, que consiste no uso de medicamentos como a ivermectina e hidroxicloroquina – que não funcionam contra a Covid-19.

Após críticas e investigações a respeito da recomendação de uso desses medicamentos expedidas pelo Ministério da Saúde, Bolsonaro e seus aliados passaram a usar o termo “atendimento imediato”.

“Muitos têm sido salvos no Brasil com esse atendimento imediato”. Jair Bolsonaro.

Ele realmente não se segura. Será interessante, inclusive, vê-lo nesta quinta-feira, em sua live onde geralmente aparece mais raiz. O que defende cloroquina, que é contra máscara, fala de vacinação na casa da mãe dos outros.

Não se esqueçam: este é o mesmo homem que na semana passada falou em ‘frescura’ e ‘mimimi’ ao se referir aos familiares dos milhares de mortos (todos os dias) durante esta pandemia. E que, afirmando nunca ter errado, ficou feliz e riu ao confirmar o aumento de suicídios neste período.

É um falso. É um perdido. É um sem moral, que não acredita nas suas próprias convicções e foi necessário seu grande rival apontar os erros óbvios para, do nada, fingir que nunca errou.

Discursos e ideias matam. E o presidente, que já possuía uma retórica caótica, apesar de mudar agora aos 45 do segundo tempo, manteve sua incoerente coerência durante toda a crise do novo coronavírus (fiquem atento aos links em cada um dos tópicos):

 

Difícil vai ser convencer seu gado agora, que passou um ano com a promessa de que essa pandemia era pura histeria, de que máscaras e distanciamento não são necessários, de que não mais que 800 pessoas morreriam e de que vacina não seria necessária, pois a melhor imunização é pegar o vírus.

Agora o estrago foi feito. Agora temos um imenso rebanho (não imunizado) que ouve as ideias imbecis do presidente e vai tentar se adaptar à nova realidade dele. Seja qual for a apresentada. O pior de tudo? O foco dele não é a vacinação, mas a eleição de 2022.

Assim, estamos condenados. Tudo o que nos resta é esperar lamentando, com raiva. Ou tentar encontrar humor nisso.

2 Comments

  • Avatar Monica Oliveira

    Isso aqui é um site de notícias ou um blog?
    Ou melhor, essa publicação, como outras, são editoriais?

  • Avatar Severino Melo

    Bolsonaro ainda é o melhor Presidente que o Brasil na conjuntura atual pode ter. Certamente será reeleito em 2022. Quem viver, verá!

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