21 de junho de 2021Informação, independência e credibilidade
Política

Flávio Bolsonaro critica ‘negacionismo do óbvio’ e defende Ernesto Araújo, que mentiu na CPI

Filho do presidente foi o último a falar na nesta terça, criticou quem usa fake news e também defendeu o pai sobre a fala da gripezinha

O senador Flávio Bolsonaro, filho 02 do presidente Jair Bolsonaro, foi o último a falar nesta terça (18), na CPI da Pandemia, no dia de depoimento do ex-chanceler Ernesto Araújo.

Moído após mais um representante do governo federal mentindo indiscriminadamente, o ex-ministro das Relações Exteriores teve ajuda não só dos senadores governistas participantes da comissão, como também do filho do presidente.

Sendo o último dos senadores a falar, ele aproveitou para criticar as fake news, o “negacionismo do óbvio” e também sugeriu que as pessoas usem mais o google. Desviando do assunto e evitando falar dos mais de 430 mil votos, o filho do presidente parecia confuso ao creditar gravidade à pandemia, algo que seu pai configura como frescura ou mimimi.

“As pessoas menosprezam o sentimento de pesar e luto do presidente Jair Bolsonaro dos mortos pelo novo coronavírus. (…) Alguns ainda não aceitaram o resultado das urnas em 2018”. Flávio Bolsonaro, senador.

Leia mais: Olavista, negacionista e conspiracionista: é a vez de Ernesto Araújo na CPI

Tendo recebido apelidos que fazem alusão a Willy Wonka, da Fantástica Fábrica de Chocolates, Flávio Bolsonaro (que ficou milionário graças à franquia da Kopenhagen, a ponto de comprar uma casa de R$ 6 milhões), teceu elogios à Ernesto, falando mais sobre expatriados do que sobre a covid. E criticou quem usava de fake news contra o governo.

Claro, além de defender o ex-ministros, defendeu o pai:

“No caso dele, especificamente, o presidente disse que a Covid seria uma gripezinha. E graças a Deus foi. Mas a narrativa que foi construída é que Bolsonaro]teria dito que todos que foram acometidos pelo Covid teriam uma gripezinha. No meu entendimento, essa alegação é uma fake news. Mas isso não é mostrado pelas agências de checagem. Isso acontece pois há uma tendência maior das agências de checagem de ser oposição ao governo”. Flávio Bolsonaro, senador.

Araújo

O presidente da CPI da Covid, Omar Aziz (PSD-AM), acusou o ex-ministro das Relações Exteriores Ernesto Araújo de mentir durante seu depoimento na Comissão.

Araújo afirmou que nunca promoveu “atrito” com a China, o que não é verdade. Também não está correta a informação de que o Brasil foi o primeiro país a receber vacinas enviadas pela Índia

Embora o Brasil esteja atualmente em 4º lugar do ranking mundial de vacinação em números absolutos, como disse Araúho, com 53,6 milhões de doses contra a covid-19 aplicadas de acordo com o Ministério da Saúde, o país ocupa apenas o 62º lugar quando levada em conta a proporção de vacinas por número de habitantes.

Em depoimento de cerca de sete horas, Araújo disse ainda que o Itamaraty atuou pelo fornecimento de hidroxicloroquina, medicamento que não tem eficácia comprovada para o tratamento da covid-19.

O ex-ministro das Relações Exteriores Ernesto Araújo afirmou hoje, em depoimento de cerca de sete horas à CPI da Covid, que o Itamaraty atuou pelo fornecimento de hidroxicloroquina, medicamento que não tem eficácia comprovada para o tratamento da covid-19.

Araújo assumiu durante o depoimento à CPI da Covid que não comunicou ao presidente sobre a carta da farmacêutica Pfizer com propostas de venda da vacina contra a covid-19. O ex-chanceler afirmou que “presumia” que Bolsonaro já tivesse conhecimento da carta.

Ele também disse à CPI da Covid que o embaixador da China no Brasil, Yang Wanming, cometeu um erro ao criticar a família do presidente Jair Bolsonaro (sem partido). O ex-chanceler fez referência à uma postagem compartilhada no Twitter de Wanming que afirmava ser a família Bolsonaro o “veneno do Brasil”.

Araújo fez críticas à China ao longo da pandemia, ainda que o Brasil dependesse de um bom relacionamento com o país para serem enviados os insumos para a produção de vacinas.